PCC encomendou órgãos de crianças em São Paulo #boato

Boato – PCC (Primeiro Comando da Capital) ordenou que crianças sejam sequestradas e tenham os órgãos retirados para serem vendidos.

As histórias falsas da internet são mutantes. Não tanto como os X-Men, famosos personagens da Marvel, mas muito metamorfas. Passa o tempo, vão-se os anos e as balelas compartilhadas na web são, quase sempre, basicamente diferentes versões das mesmas.

É como se quem dedica seu tempo a inventar mentiras para compartilhar em redes sociais e na internet estivesse cada vez menos criativo. Todos os anos, cá estamos com vários casos de fim do mundo, profecias, artistas que (não) morreram, confiscos da poupança e, claro, os sequestros infantis.

Assim como há exatamente uma semana,vamos novamente falar de sequestros de crianças. Desta vez, a população deve ficar alerta porque o Primeiro Comando da Capital, PPC, ordenou o sequestro dos pequenos para atender a uma encomenda de órgãos. É isso que mais um áudio compartilhado no WhatsApp afirma. Confira a transcrição:

E aí seus fela, vou ter que falar sobre um assunto sério com vocês aí, Du não fica bravo comigo não que é um áudio, mas é o seguinte, eu tava hoje no setor de inteligência aqui onde eu trabalho e prenderam uns caras, uma quadrilha aqui e é o seguinte, o PCC deu um salve geral aí, eles pegaram uma encomenda de órgãos infantis, então eles tem que arrumar órgãos infantis de crianças de 1 até 5 anos de idade, então já teve dois casos em Praia Grande, um caso em Osasco e dois casos em São Paulo.

Então eles tão sequestrando essas crianças e retirando os órgãos, consequentemente elas morrem. Uma das táticas é a venda, é tentar fazer a venda de fotos e não dando certo eles tão pegando as crianças na rua mesmo. Então evitar dessas crianças ficarem sozinhas nas ruas aí, ficar bem atento porque a coisa é séria.

Eu peguei o processo na mão e tive contato com dois filhos das p… aqui e a coisa tá feia. Eles tem encomenda e eles vão buscar essas encomendas. Então fiquem atentos aí, passa essa informação para quem tem criança pequena aí, e vocês meu, fiquem ligados no assunto hein. Não é brincadeira, é muito sério. Falow!

O PCC encomendou órgãos de crianças em São Paulo?

É de conhecimento geral que o grupo tem participação em diferentes tipos de crimes. O tráfico de drogas e armas predomina entre as atividades do PCC, e quase sempre a associação é pauta para a imprensa. No entanto, nunca esteve relacionada ao sequestro de crianças para retirada e venda de órgãos.

Um assunto tão sério que envolvesse o grupo já teria sido matéria especial do Fantástico. Mas, não é só o silêncio da mídia que prova que esse novo áudio é mais uma balela.

As informações (bem tortas, diga-se de passagem) mencionadas são praticamente as mesmas que desmentimos na última semana. Dois casos de sequestro infantil em Praia Grande? Dois casos em São Paulo? Osasco? Procuramos sobre possíveis coberturas desses crimes em qualquer site ou veículo de renome e o resultado foi o mesmo para as três cidades – nada.

O mesmo áudio junta aos sequestros supostamente comandados pelo PCC aquela história batida das equipes de fotografia disfarçadas. Porém, bem sabemos que o Primeiro Comando da Capital não disfarça nada. As ações do grupo, quando acontecem, são escancaradas (vide o salve geral de 2006, que resultou em mais de 200 ataques só em São Paulo naquele ano).

Para fechar, como também comentamos no texto passado, a forma como quadrilhas de tráfico de órgãos atuam é muito mais sutil e silenciosa. Os esquemas são bem organizados e envolvem altos escalões, médicos e hospitais.

Ou seja, não há verdade alguma nesse novo áudio sobre sequestros de crianças na grande São Paulo e litoral. Trata-se de mais uma mutação das várias histórias que sempre aparecem por aí. Provável e infelizmente, também não será a última versão desse boato.

PS: Esse artigo foi uma sugestão dos leitores Jorge Yoshio Sasaya, Adriana Amaral, Marcelo Prado e outros três que não se identificaram. Se você quiser sugerir um tema para o Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook ou WhatsApp, no telefone (61) 99331 6821.

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