Boato – Um vídeo viral afirma que em 1971 uma pastelaria no Mercado Central de Recife, comandada por um chinês chamado Liu, teria usado carne humana em seus pastéis.
Análise
Nos últimos dias, tem circulado nas redes sociais um vídeo em formato documental que resgata uma suposta história de 1971 em Recife (PE). Segundo a narrativa, uma pastelaria comandada por um chinês chamado Liu, localizada no Mercado Central da cidade, teria utilizado carne humana em seus produtos.
O vídeo, com dezenas de minutos de duração, apresenta detalhes dramáticos e cenários vívidos, como o calor de março de 1971, um policial designado para investigar sumiços e uma clientela fiel que elogiava o sabor “inconfundível” dos pastéis. Leia trechos da transcrição:
(1971, Recife-PE) O Pastel Macabro do Chinês Liu — Moía Indigentes no Porão do Mercado Central O que você faria se descobrisse que o sabor característico de um dos pastéis mais populares da sua cidade vinha de uma fonte inimaginável? Em 1971, na cidade de Recife, capital de Pernambuco, uma série de eventos perturbadores começou a se desenrolar no coração do mercado central, um dos pontos mais movimentados e tradicionais da cidade. O caso que ficou conhecido como o pastel macabro do chinês Liu permanece até hoje como um dos episódios mais sombrios da história criminal brasileira. Embora muitos detalhes tenham sido deliberadamente omitidos dos registros oficiais, esta é a história de como um imigrante chinês construiu um império de comida de rua baseado em um segredo aterrador escondido no porão de seu estabelecimento.
Se você aprecia histórias de investigações reais sobre crimes que desafiam a compreensão humana, continue assistindo até o final para entender todos os detalhes desse caso perturbador que chocou a população recifense nos anos 70. E se ainda não é inscrito no canal, este pode ser o momento perfeito para fazê-lo, pois trazemos regularmente casos reais como este, meticulosamente pesquisados e narrados. O calor era sufocante naquela manhã de março de 1971, quando José Ferreira, um jovem policial recém transferido para a delegacia do centro de Recife, foi designado para investigar o desaparecimento de Sebastião Pereira, um homem sem teto que frequentava as imediações do mercado central.
Normalmente o desaparecimento de um indigente não causaria grande comoção, mas este era o terceiro caso em menos de 2 meses. Todos seguiam padrão similar: Pessoas em situação de rua, sem família conhecida, que costumavam dormir nas proximidades do mercado e simplesmente desapareciam sem deixar vestígios. O mercado central de Recife, com sua estrutura colonial e corredores labirínticos, abrigava dezenas de pequenos comércios, desde bancas de frutas tropicais até artesanato regional.
No entanto, um estabelecimento em particular se destacava pela constante fila de clientes que se formava desde as primeiras horas da manhã. A pastelaria do Sr. Lil Chang, um imigrante chinês que havia chegado ao Brasil no início dos anos 60, fugindo da turbulência política em seu país natal. Conhecido simplesmente como chinês Liu pelos frequentadores do mercado, ele havia conquistado a clientela local com seus pastéis de carne de sabor único e inconfundível. Diziam que ele possuía um tempero secreto, uma receita familiar trazida do outro lado do mundo, que tornava seus pastéis irresistíveis. “Você experimenta um, volta para comprar 10.” Era o que os clientes costumavam dizer. O negócio prosperava de tal forma que L havia expandido sua banca original para ocupar um espaço considerável no mercado, incluindo um depósito exclusivo no porão, algo que poucos comerciantes conseguiam obter devido à concorrência por espaço.
Checagem
A história gerou curiosidade por seu tom macabro e pelos detalhes dramáticos, mas não resiste a uma checagem. Para esclarecer, analisamos três pontos principais: 1) Pastelaria chinesa do Liu usou carne humana em Recife em 1971? 2) Como foi criada a história que aponta que a pastelaria chinesa do Liu usou carne humana em Recife em 1971? 3) Existem crimes reais em Pernambuco que inspiram esse tipo de história?
Pastelaria chinesa do Liu usou carne humana em Recife em 1971?
Não. Não há qualquer registro em jornais, processos criminais ou documentos históricos que confirmem a existência de uma pastelaria chinesa chamada Liu em Recife em 1971. A história não aparece em acervos da imprensa pernambucana nem em arquivos policiais. Trata-se de uma narrativa fictícia sem qualquer base factual.
Como foi criada a história que aponta que a pastelaria chinesa do Liu usou carne humana em Recife em 1971?
A narrativa surgiu em páginas e canais dedicados a histórias de terror e casos “macabros”, muitas vezes apresentadas como se fossem reais para aumentar a sensação de mistério. O roteiro utiliza técnicas comuns desse tipo de ficção: contextualização histórica, personagens fictícios e ausência de fontes verificáveis. Tudo isso criado com o auxílio de ferramentas de IA.
Existem crimes reais em Pernambuco que inspiram esse tipo de história?
Sim, Pernambuco e outros estados já tiveram casos criminais envolvendo crimes violentos ou alimentos adulterados, o que pode dar verossimilhança a esse tipo de lenda. Um exemplo real ocorreu em 2012, quando um trio foi preso em Garanhuns acusado de homicídios e uso da carne das vítimas em alimentos vendidos à população (veja reportagem da Folha). Porém, esse caso nada tem a ver com a suposta história de 1971 em Recife, que segue sendo apenas uma invenção de caráter ficcional.
Conclusão
Não há qualquer evidência de que uma pastelaria chinesa chamada Liu tenha usado carne humana em Recife em 1971. O enredo que circula é uma ficção criada em páginas de histórias macabras na internet. Embora crimes reais já tenham ocorrido em Pernambuco, nenhum deles tem relação com essa narrativa específica. Portanto, a história é completamente falsa.
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