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História falsa que aponta para cientista João Gabriel Melo Aiello com QI 640 e 37 PHDs é de perfil criado por ator

João Gabriel Melo Aiello é um cientista com QI 640, 37 PHDs e foi proibido de fazer o Enem, diz boato (Foto: Reprodução/X)

Boato – João Gabriel Melo Aiello é um cientista com QI de 640, possui 37 títulos de PhD e foi proibido pelo governo brasileiro de realizar o Enem por conta de sua inteligência extrema.

Análise

Uma sequência de relatos em plataformas como o Instagram e o TikTok começou a atrair a atenção de milhares de internautas nos últimos dias. As publicações trazem o depoimento de um jovem que se apresenta como o maior gênio do Ocidente, detalhando uma trajetória acadêmica e cognitiva que desafia os limites conhecidos da ciência e da educação brasileira. Nas gravações, um homem identificado como João Gabriel Melo Aiello faz uma série de afirmações impressionantes sobre sua trajetória acadêmica e intelectual, despertando curiosidade e debate nas redes sociais.

Entre as alegações mais compartilhadas estão um suposto QI de 640, a conquista de 37 doutorados, a autoria de milhares de artigos científicos e até uma proibição para realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por possuir uma inteligência considerada fora dos padrões.

De acordo com as mensagens compartilhadas, o estudante teria sido submetido a uma avaliação especial aos 13 anos de idade no Palácio do Governo, obtendo uma pontuação quase perfeita. Esse desempenho teria motivado as autoridades a vetarem sua participação em edições posteriores do Exame Nacional do Ensino Médio para garantir a equidade entre os candidatos. Veja duas das versões que circulam online:

Versão 1: Brasileiro que se diz ter super QI relata sobre ser proibido de fazer o ENEM ou qualquer outro vestibular no Brasil. “Sou proibido pelo governo de fazer o Enem. Para você que não me conhece, eu me chamo João Gabriel Mello Ayello, atualmente eu sou o maior gênio do Ocidente. Tenho uma anomalia de QI com 640 que foge totalmente da norma e eu não posso fazer nenhuma prova de vestibular, inclusive o Enem. Isso acontece porque, por eu ter uma anomalia totalmente fora da realidade, é óbvio que para fazer uma prova ou passar em um vestibular isso é um ponto competitivo muito injusto. Quando eu tinha 13 anos, eu fiz uma prova do Enem no Palácio do Governo, uma prova, digamos assim, especial, até um pouco mais difícil do que as questões básicas do Enem, e, mesmo assim, eu tirei 179 de 180.

Foi nesse dia que eles decidiram que eu não poderia fazer quando eu tivesse 16, 17, 18. A única questão que eu errei foi uma questão de inglês, que, por acaso, era uma matéria que eu ainda, com 13 anos, não tinha total domínio. Comecei meu estudo de línguas com 17 e hoje eu já falo mais de 73 idiomas. Então, basicamente, é… eu não posso, nunca pude fazer o Enem e eu não me sinto lesado por isso, mas é só uma curiosidade que eu conto aqui para vocês porque… é… eu realmente sou a única pessoa da história a ser proibida de fazer uma prova. Se você quer saber um pouco mais sobre essa história, eu tenho nos meus destaques e você pode jogar no Google também, João Gabriel Mello Ayello, único brasileiro a ser proibido do Enem. Valeu.”

Versão 2: O gênio brasileiro de 37 Phds Jovem brasileiro João Gabriel Melo Aiello, o cientista de 37 PhDs que redefine os limites da ciência Aos 27 anos, João Gabriel Melo Aiello já é apontado por especialistas e pesquisadores como um dos maiores fenômenos intelectuais da história. Com um QI estimado em 640, número que ultrapassa qualquer registro conhecido, o jovem brasileiro vem ganhando destaque internacional por sua produção científica, sua velocidade de aprendizado e uma trajetória que rompe completamente com os padrões tradicionais da academia. A história de João Gabriel começa de forma incomum ainda muito cedo. Aos 13 anos, ele foi impedido de realizar o Exame Nacional do Ensino Médio. Relatos indicam que a decisão teria sido baseada em avaliações que consideraram sua capacidade cognitiva extremamente acima da média, o que poderia comprometer a equidade do exame em relação aos demais candidatos.

Aos 14 anos, ele se mudou para os Estados Unidos e iniciou simultaneamente sua formação em duas das instituições mais prestigiadas do mundo. Em Harvard, dedicou-se à Física, enquanto em Yale aprofundou seus estudos em Física Biomolecular. Foi nesse período que começou uma jornada acadêmica acelerada, marcada por um desempenho considerado fora de qualquer padrão conhecido. Em pouco mais de uma década, João Gabriel acumulou impressionantes 37 títulos de PhD, conquistados ao longo de aproximadamente 12 anos de pesquisa intensa. Sua facilidade em compreender temas extremamente complexos e defender teses com profundidade e clareza é frequentemente descrita como algo raro até mesmo entre os maiores nomes da ciência. Além dos doutorados, ele também é creditado com mais de 1.800 artigos científicos revisados por pares e mais de 500 invenções. Entre essas criações estão projetos altamente avançados, como sistemas teóricos de teletransporte, propostas de manipulação do espaço-tempo e estudos experimentais relacionados a fenômenos como telecinese e telepatia.

Dentro da comunidade científica, João Gabriel já é amplamente reconhecido como uma das mentes mais avançadas da atualidade, sendo frequentemente comparado a grandes nomes da história, como Einstein, pela sua capacidade de transitar com profundidade entre diferentes áreas do conhecimento. Ao mesmo tempo, fora desse meio, especialmente nas redes sociais, seus feitos geram forte repercussão. Muitas pessoas se impressionam com a dimensão de suas conquistas, o que naturalmente leva a debates, questionamentos e discussões sobre a extensão de suas descobertas. Ainda assim, entre pesquisadores e especialistas que acompanham de perto seu trabalho, o reconhecimento é consolidado. A seguir, estão listados os 37 PhDs atribuídos ao pesquisador, abrangendo diferentes áreas da física, matemática, engenharia e ciências aplicadas: [lista] Independentemente das discussões fora do meio acadêmico, o impacto de João Gabriel Melo Aiello já é evidente. Sua trajetória representa uma ruptura com os limites tradicionais do conhecimento e reforça a ideia de que ainda existem fronteiras na ciência prontas para serem redefinidas.

Checagem

A repercussão dos vídeos motivou uma análise detalhada dos fatos apresentados na gravação. Para compreender a veracidade da história, dividimos a verificação em três pontos centrais que serão respondidos a seguir: 1) João Gabriel Melo Aiello é um cientista com QI 640, 37 PHDs e foi proibido de fazer o Enem? 2) Quem é a pessoa por trás do cientista João Gabriel Melo Aiello? 3) É possível que alguém tenha QI de 640, 37 PHDs e seja proibido de fazer o Enem por inteligência extrema?

João Gabriel Melo Aiello é um cientista com QI 640, 37 PHDs e foi proibido de fazer o Enem?

Não. Não há qualquer comprovação de que exista um cientista chamado João Gabriel Melo Aiello com as credenciais apresentadas nos vídeos que viralizaram nas redes sociais. Também não existe registro de alguém que tenha sido impedido de fazer o Enem por possuir inteligência acima da média.

As alegações ganharam repercussão justamente por serem extraordinárias, mas não são acompanhadas de documentos verificáveis, currículos acadêmicos reconhecidos, publicações científicas compatíveis ou registros independentes que confirmem os feitos narrados. Além disso, o regulamento do Enem não prevê a exclusão de candidatos por apresentarem alto desempenho intelectual.

O próprio argumento utilizado nos vídeos não encontra respaldo nas regras do exame. O Enem é aberto aos participantes que atendem aos requisitos estabelecidos pelo edital, sem qualquer mecanismo que permita barrar uma pessoa por ser considerada inteligente demais.

Quem é a pessoa por trás do cientista João Gabriel Melo Aiello?

O homem que aparece nos vídeos gravados em formato de depoimento é, na verdade, o ator e comediante Matheus Aiello. O perfil oficial do profissional no Instagram de Matheus Aiello concentra produções voltadas ao entretenimento e à comédia, incluindo esquetes onde interpreta diferentes tipos de personagens fictícios.

O ator possui um histórico de atuação na televisão, acumulando participações em novelas e programas da TV Globo, além de produções em outras emissoras de destaque nacional. O cientista citado nas publicações digitais é uma criação artística do humorista, estruturada especificamente para produzir um conteúdo hiperbólico focado no engajamento de plataformas digitais.

O problema é que muitos vídeos passaram a circular fora do contexto original, sem indicação de que se tratava de um personagem. Com isso, parte dos internautas passou a acreditar que as histórias narradas eram fatos reais, ajudando a impulsionar ainda mais a viralização do conteúdo.

É possível que alguém tenha QI de 640, 37 PHDs e seja proibido de fazer o Enem por inteligência extrema?

Do ponto de vista científico e estatístico, as alegações são inviáveis. As escalas modernas de avaliação cognitiva possuem limites técnicos de mensuração. A pontuação máxima teórica não atinge o patamar mencionado, e historicamente, o maior quociente de inteligência já estimado pertenceu a William James Sidis, cujos registros variam entre 250 e 300 pontos, cercados de debates sobre a precisão metodológica da época.

Em relação aos doutorados, é verdade que existem pesquisadores que acumulam múltiplos títulos acadêmicos ao longo da vida. Entretanto, a alegação de 37 PhDs obtidos em pouco mais de uma década exigiria uma produtividade sem precedentes e não há qualquer registro acadêmico público que sustente tal afirmação.

Já a suposta proibição para participar do Enem não encontra qualquer base legal ou administrativa. Não existe norma que impeça uma pessoa de realizar o exame por apresentar inteligência acima da média. Trata-se de um recurso narrativo utilizado para reforçar a imagem extraordinária do personagem.

Conclusão

É falso que João Gabriel Melo Aiello seja um cientista com QI 640, 37 PhDs e que tenha sido proibido de realizar o Enem por inteligência extrema. O personagem viral é interpretado pelo ator Matheus Aiello e utiliza características deliberadamente exageradas para criar conteúdo nas redes sociais. As alegações não possuem comprovação documental e incluem elementos incompatíveis com o funcionamento dos testes de QI, da vida acadêmica e das regras do exame nacional.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugerência de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)