Foto falsa: professora é presa após ensinar alunos a não sujar escola

Professora teria sido presa após ensinar alunos a não sujar escola, diz boato
Professora teria sido presa após ensinar alunos a não sujar escola, diz boato

Boato – Uma professora aposentada da Escola Estadual Professor Caetano Azeredo, em Belo Horizonte, foi presa após fazer um projeto no qual alunos limpavam voluntariamente pichações. Imagem mostra idosa desolada.

Educação é um tema que causa muita polêmica na internet. Então, se aparecer um caso de desrespeito a algum professor, a comoção é geral. É o que aconteceu após aparecer na internet, em janeiro de 2014, o suposto caso de uma professora aposentada que foi presa após fazer um projeto em que alunos limpavam voluntariamente pichações da escola.

De acordo com o texto, que circulou em blogs e rede sociais, a prisão foi efetuada após um pai denunciar à professora à polícia por exploração de trabalho infantil. O texto ainda fala que a professora “foi algemada e jogada em um camburão”. Por fim, o texto dá aquela lição de moral. E para acompanhar, uma foto de uma idosa chorando copiosamente. Leia na íntegra logo abaixo.

PROFESSORA DA REDE PÚBLICA É PRESA APÓS ENSINAR ALUNOS A NÃO SUJAR A ESCOLA

O fato ocorreu na escola estadual Professor Caetano Azeredo localizada na região centro-sul de Belo Horizonte. A professora já aposentada instituiu um projeto em que voluntariamente os alunos ajudariam a limpar as pichações no interior da escola.

Era a segunda vez que o projeto era realizado e vinha apresentando excelentes resultados com uma redução considerável no número de pichações. Os próprios alunos participantes disseram que não iriam mais pichar, pois haviam percebido o quão era difícil a limpeza pelas faxineiras da escola.

Porem, nesta edição do projeto, um fato inusitado ocorreu: um pai denunciou a professora por exploração do trabalho infantil e, a mesma acabou sendo algemada e jogada dentro de uma viatura policial sendo levada presa para delegacia.

É isso mesmo uma idosa, excelente educadora, foi tratada como um marginal, pois estava cometendo o crime de formar cidadãos dignos. Enquanto isso, milhares de bandidos estavam livres e soltos matando e roubando.

Após o incidente os professores disseram estar desanimados de continuar com a profissão e a escola centenária corre risco de ser fechada por falta de profissionais. O caso não saiu na imprensa sendo o relato dos professores de diretores a única fonte que pode ser confirmada ligando para a escola anteriormente citada.

Comovente, não? O grande problema é que a velhinha chorando não é a tal professora. A foto é referente a uma idosa de 90 anos que foi pega furtando jóias em uma loja de Goiânia no início de 2013. Leia esta matéria sobre o assunto escrita pelo G1.

E a história é falsa? Ao que tudo indica, não é bem isso que poderia ter acontecido. Vamos aos fatos: o último parágrafo fala que o caso não saiu na imprensa e que a única fonte seria confirmada “ligando para a escola”. Mas porque não saiu na imprensa, apenas em blogs? E pobre escola, que vai ter que atender centenas de ligações de pessoas perguntando do caso…

Além disso, a história está, literalmente, mal contada. A única citação possível de ser checada é a tal escola da capital mineira (que realmente existe). Não há nomes de professores da escola, nem do pai que denunciou, tampouco da tal professora que foi presa. Como que o sujeito que escreveu soube de tantos detalhes e não sabe o nome de ninguém?

Mais dúvidas pertinentes para um texto aceitável (fica a dica para quem quer escrever): qual o nome do projeto? Quando foi a primeira edição? Quando a professora foi presa? Uma última dúvida: como as crianças poderiam estar deixando de frequentar aulas para fazer o trabalho se a “notícia aconteceu” em janeiro. E se aconteceu antes, porque não foi divulgada antes

Por fim, há a informação de que a escola é centenária. De acordo com a página do Facebook da própria escola, ela, na verdade, tem 82 anos. Ou seja, mais uma informação que enfraquece essa história. Conclusão: a foto é falsa. E a história muito estranha e mal contada para ser verdade da forma que foi explanada.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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