Falso funcionário do IBGE, com falso crachá, está realizando assaltos #boato

Boato – A Polícia Militar de São Paulo e outros órgãos alertam que há um homem se passando por um falso funcionário do IBGE para realizar assaltos em residências. Ele usa um falso crachá.

Depois de muito tempo, o IBGE finalmente reuniu condições (sanitárias e orçamentárias) para realizar o Censo populacional. O início das entrevistas está suscitando uma história falsa que havia sido desmentida há tempos: do alerta para o “falso pesquisador do IBGE”.

Um print de uma mensagem no WhatsApp com a foto de um homem (há variações de quem seria o tal assaltante) aponta que ele seria um “falso funcionário do IBGE” que estaria entrando em casas para realizar assaltos. Em alguns casos, a postagem tem um selo da Polícia Militar de São Paulo. Leia:

Polícia Militar São Paulo: “Esse cara esta se passando por funcionário do IBGE, ele usa crachá e tudo, depois q entra na residência anuncia o assalto, repassem para o máximo de pessoas….”

Falso funcionário do IBGE, com falso crachá, está realizando assaltos?

A iminência do Censo e o início das primeiras entrevistas está fazendo com que a história se espalhe com muita força por aí. Só que, apesar de todo alarde apresentado na história, a informação não procede.

Antes de continuar, temos uma ressalva. É fato que é possível que casos isolados de bandidos tentando se passar por profissionais (seja do IBGE como de outras empresas) ocorram. Ao buscar na internet, vimos alguns “alertas genéricos” sobre isso no passado (como esse e esse).

Por isso, o próprio IBGE disponibiliza algumas ferramentas para que as pessoas possam verificar se o recenseador do IBGE é cadastrado. Uma das formas é da checagem do uniforme. Veja vídeo do próprio IBGE sobre como reconhecer:

Além disso, você pode fazer uma verificação no próprio site do IBGE. Por meio do site https://respondendo.ibge.gov.br/entrevistador.html é possível, como o número da matrícula, CPF e RG, ver se a pessoa é registrada no IBGE (o recenseador é obrigado a passar esses dados).

Dito isso, é importante apontar que a mensagem em questão é falsa e tem prejudicado o trabalho de recenseadores. O Boatos.org desmentiu essa mesma mensagem em 2014. Veja o que escrevemos na época:

O texto carrega todos os elementos de um bom boato da internet: é escrito em letras maiúsculas (como se o interlocutor estivesse gritando), é alarmista, tem muitos erros de ortografia e concordância, não cita fontes e pede que a mensagem seja repassada para o número máximo de pessoas.

Tentamos buscar a imagem deste “homem perigoso” em outras páginas da internet e nada encontramos. Se ele fosse tão perigoso, será que não estaria na lista de procurados na polícia?

Ao buscar sobre o assunto, descobrimos um desmentido do próprio IBGE. No texto do Jornal de Hoje (de Natal), uma diretora do órgão desmentiu a existência do sujeito, disse que o boato já havia se espalhado pelo Acre e que os próprios recenseadores estavam sofrendo as consequências. Leia a matéria neste link.

Bem, pelo o que podemos ver, a história é mais um boato de internet. Quando ver a foto no Facebook ou no WhatsApp, não vacile em falar que é boato. Afinal, você pode estar ajudando um inocente.

Há algumas coisas importantes a se ponderar. A primeira é que, na época, o Brasil tinha acabado de presenciar a morte de uma mulher por conta de um boato de internet. Isso mostra que o quão perigoso é uma fake news como essa.

A segunda é que, de lá pra cá, a mesma balela foi desmentida por regionais do IBGE e até pela Polícia Militar de São Paulo. Ou seja: a acusação contra o sujeito em questão era falsa e continua sendo falsa.

A terceira é que há relatos de funcionários verdadeiros do IBGE que estão sofrendo com a situação. Este vídeo de um influenciador digital que trabalha no Censo é bem exemplar. Assista:

Resumindo: não procede a informação que aponta que há um falso funcionário do IBGE assaltando casas Brasil afora. A foto do sujeito em questão circula desde 2014, o boato já foi desmentido algumas vezes e está atrapalhando o trabalho de algumas pessoas.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet