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Ao contrário do que apontam mensagens, documentos do Caso Epstein não comprovam canibalismo e denúncia de Gabriela Rico Jiménez

Documentos do Caso Epstein comprovam denúncia de canibalismo feito pela modelo Gabriela Rico Jiménez, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – A liberação de documentos do Caso Epstein comprovaria rituais de canibalismo e as denúncias feitas pela modelo Gabriela Rico Jiménez.

Análise

A recente liberação de uma nova leva de documentos ligados ao caso de Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacendeu discussões intensas nas redes sociais.

Agora, as publicações sugerem que o conteúdo dos documentos recém-divulgados finalmente validaria as denúncias antigas que teriam sido feitas pela modelo Gabriela Rico Jiménez em 2009, ligando o caso da modelo a supostos rituais de canibalismo e sacrifícios em eventos de luxo frequentados pela elite global.

Para contextualizar: um vídeo de 2009 que mostra a modelo mexicana Gabriela Rico Jiménez, então com 21 anos, em um estado de profundo desespero em frente a um hotel em Monterrey. Na gravação, a jovem grita frases desconexas sobre o consumo de carne humana por parte de elites poderosas, o que gerou, na época, um silêncio oficial e muitas teorias.

Ou seja, a narrativa utiliza o histórico de crimes reais de Epstein para tentar dar veracidade a alegações de cunho sobrenatural ou macabro que circulam na internet há mais de uma década. Leia uma das mensagens que circula online:

“Quando o povo comenta uma coisa, ou foi ou é ou vai ser”. Liberação dos arquivos de Epstein ressuscita caso de modelo mexicana desaparecida: era isso que ela tentava alertar? Em 2009, uma jovem modelo mexicana de 21 anos chamada Gabriela Rico Jiménez foi filmada fora de um hotel em Monterrey… descalça, angustiada e gritando algo que ninguém nunca esqueceu: “Eles comeram humanos!”. A cena chocou o mundo digital e viralizou imediatamente, desencadeando uma onda de teorias conspiratórias que ainda hoje circulam na deep web e nas timelines das redes sociais.

Segundo o vídeo antigo, Gabriela teria participado de um evento “elitista” e saiu concluindo que pessoas poderosas estavam envolvidas em algo macabro: rituais, sacrifício e até consumo de carne humana. Ela implorou por liberdade, repetindo palavras que hoje soam como horror e lenda urbana ao mesmo tempo. E então… ela sumiu. A polícia apareceu e a levou, acusando-a de colapso mental. E depois disso? Nada. Ninguém ouviu falar oficialmente de Gabriela novamente.

Nenhum registro hospitalar público, nenhuma investigação transparente… apenas silêncio absoluto. Isso virou combustível para teorias que falavam desde uma elite global até ocultação de algo mais sinistro. Agora a internet voltou a fervilhar. Com a liberação de uma nova leva de documentos ligados ao caso de Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA, internautas estão revestindo esse vídeo antigo com ainda mais especulação e relacionando a história de Gabriela a festas de poderosos e alegações grotescas de abuso e rituais em iates e mansões.

Checagem

Para entender a veracidade dessas publicações, precisamos analisar o que os documentos realmente dizem, separando os fatos das especulações. Vamos responder às seguintes questões: 1) Documentos do Caso Epstein comprovam denúncia de canibalismo feito pela modelo Gabriela Rico Jiménez? 2) O que os documentos do Caso Epstein falam sobre canibalismo? 3) As denúncias da modelo Gabriela Rico Jiménez são reais?

Documentos do Caso Epstein comprovam denúncia de canibalismo feito pela modelo Gabriela Rico Jiménez?

Não. Não existe qualquer menção à modelo mexicana Gabriela Rico Jiménez nos documentos oficiais liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA referentes ao caso de Jeffrey Epstein. A tentativa de associar o episódio ocorrido em Monterrey, em 2009, com as investigações de Epstein é fruto de uma associação sem base factual.

Embora o caso da modelo tenha sido cercado de mistério, o Boatos.org já esclareceu anteriormente que não houve comprovação de que ela estivesse envolvida com redes internacionais de tráfico ou rituais de elites citadas no processo norte-americano.

O que os documentos do Caso Epstein falam sobre canibalismo?

Embora o volume de páginas liberado seja extenso, não há nenhuma prova ou depoimento que comprove rituais de canibalismo. De acordo com verificações internacionais, como as realizadas pelo Snopes e pelo Hindustan Times, as palavras-chave relacionadas a esses temas até podem aparecer em contextos de perguntas de advogados ou alegações de terceiros, mas não constam como fatos comprovados ou evidências no processo.

Os crimes confirmados de Epstein envolvem abuso sexual e tráfico de menores, o que por si só é gravíssimo, mas as histórias de rituais antropofágicos permanecem no campo da teoria da conspiração.

As denúncias da modelo Gabriela Rico Jiménez são reais?

Apesar do impacto emocional do vídeo de Gabriela Rico Jiménez, nunca foram apresentadas provas que sustentassem suas alegações de canibalismo. Na época, autoridades mexicanas relataram que a jovem passava por um surto psicótico e ela foi encaminhada para tratamento psiquiátrico. A falta de informações públicas posteriores sobre seu paradeiro alimentou o mito do “desaparecimento”, mas a ligação entre o desabafo desesperado da jovem e os arquivos de Epstein é uma construção narrativa sem sustentação nos fatos apresentados pela justiça dos EUA.

Conclusão

Em resumo, a liberação dos documentos do caso Epstein não traz qualquer evidência de canibalismo nem menciona o nome de Gabriela Rico Jiménez. A tentativa de unir os dois casos utiliza o choque visual de um vídeo antigo para espalhar desinformação sobre o conteúdo real das investigações judiciais americanas.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)