Boato – Os ensaios clínicos da vacina da Pfizer/BioNTech resultaram em mais mortes no grupo vacinado do que no grupo que recebeu placebo.
Análise
Desde o início da pandemia de Covid-19 e o desenvolvimento das primeiras vacinas, a desinformação tem acompanhado o processo, gerando dúvidas e, em muitos casos, incerteza na população. Uma nova alegação, que tem circulado em vídeos e mensagens nas redes sociais, reacende o debate sobre a segurança dos imunizantes, utilizando supostos dados dos estudos clínicos da farmacêutica Pfizer.
O conteúdo em questão é compartilhado por indivíduos que se opõem às vacinas contra a Covid-19, afirmando que o experimento da Pfizer demonstrou um resultado alarmante: o número de mortes no grupo que recebeu a vacina seria superior ao do grupo que tomou o placebo.
A mensagem não só coloca em xeque a eficácia e a segurança da vacina, mas também sugere que a substância utilizada como placebo não era inerte, mas sim um imunizante anterior, com “efeitos e consequências”. O texto que circula e está sob análise é o seguinte:
Morreu mais gente tomando a vacina do que tomando o placebo. Uma coisa que as pessoas não sabem. No experimento da própria Pfizer. Então, o experimento é feito assim: pega um grupo de pessoas vacinadas, dá a vacina para elas. Pega um outro grupo de pessoas, dá a vacina, só que com placebo, com água de sal, água boricada. Para quê? Para tu ver quem morre mais, quem é mais imunizado. No experimento da Pfizer morreu mais gente tomando a vacina do que tomando o placebo. E se eu te falar que o placebo nem água salinizada, mas é uma vacina anterior. Então ele está comparando já com uma coisa que tem efeitos, que tem consequências.
Checagem
A alegação de que mais pessoas morreram no grupo vacinado do que no grupo placebo durante os testes da Pfizer não é nova; trata-se de uma desinformação que já circulou e foi desmentida. Para verificar a veracidade da informação, é fundamental responder a três perguntas principais: 1) Nos testes da Pfizer morreu mais gente tomando a vacina do que o placebo? 2) Quais foram os resultados dos testes da vacina da Pfizer? 3) Os imunizantes contra a Covid-19 não resolvem?
Nos testes da Pfizer morreu mais gente tomando a vacina do que o placebo?
Não. A afirmação é falsa. Segundo os documentos de análise da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de saúde dos Estados Unidos, que revisou os dados do ensaio clínico da vacina da Pfizer/BioNTech, um total de seis participantes morreram durante o estudo, que envolveu cerca de 44 mil voluntários. Desses seis participantes, apenas dois haviam recebido a vacina, enquanto os outros quatro estavam no grupo placebo. Os detalhes dessas mortes estão detalhados nos documentos informativos da FDA.
Quais foram os resultados dos testes da vacina da Pfizer?
Os documentos da FDA detalham as causas de morte de cada indivíduo para atestar a segurança do imunizante. Os dois participantes que tomaram a vacina faleceram devido a causas não relacionadas ao medicamento: um por parada cardíaca 62 dias após a segunda dose e o outro por arteriosclerose três dias após a primeira dose. No grupo placebo, as mortes ocorreram por infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral hemorrágico e duas por causas desconhecidas. O importante é que a FDA deixou claro que nenhuma das mortes foi considerada relacionada à intervenção do estudo, e que as fatalidades representam eventos que ocorrem na população em geral daquelas faixas etárias, em uma taxa similar.
Os imunizantes contra a Covid-19 não resolvem?
Em total oposição à alegação, os imunizantes contra a Covid-19 não só resolvem o problema como salvaram milhões de vidas em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas agências de saúde globais atestam a eficácia e segurança das vacinas. Conteúdos que sugerem o contrário, como o boato analisado, são falsos e perigosos, pois podem desencorajar a vacinação, que é uma das principais ferramentas para o controle de doenças infecciosas.
Conclusão
É incorreta a alegação de que mais pessoas morreram no grupo vacinado da Pfizer do que no grupo placebo durante os testes clínicos. Os dados oficiais da FDA mostram que quatro mortes ocorreram no grupo placebo e duas no grupo vacinado, e nenhuma delas foi relacionada à vacina. Essa desinformação é uma reciclagem de boatos que visa minar a confiança nos imunizantes, mas é crucial reconhecer que as vacinas se provaram eficazes e seguras, salvando inúmeras vidas. A afirmação é, portanto, falsa.
Fake news ❌
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