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É falso que Jason Miller, homem que resgatou criança de queda do 5º andar, foi processado a pagar US$ 500 mil

Um homem chamado Jason Miller salvou uma criança que caiu do 5º andar e foi multado em US$ 500 mil, diz boato (Foto: Reprodução/TikTok)

Boato – Um homem chamado Jason Miller teria salvado uma criança que caiu do quinto andar, mas acabou sendo processado pela mãe da criança por ter causado ferimentos durante o resgate.

Análise

Uma história que parece ter saído de um roteiro de cinema está viralizando nas redes sociais, levantando debates acalorados sobre altruísmo e as complexidades da lei. O relato sugere que um homem corajoso, identificado como Jason Miller, teria protagonizado um resgate heroico ao salvar um bebê que caía do quinto andar de um prédio.

O que torna a narrativa ainda mais chocante é o desfecho inesperado: em vez de gratidão, Miller teria recebido um processo judicial de US$ 500 mil movido pela mãe da criança. A alegação seria de que o resgate, por ter causado ferimentos ao bebê durante o impacto, configuraria uma ação perigosa.

O boato, que circula em diversos idiomas e é acompanhado por um vídeo, tem sido endossado por influenciadores e compartilhado amplamente, questionando a moralidade e a lógica das ações judiciais no mundo atual. Leia uma das versões do caso:

Ele salvou uma criança caindo do 5 andar e foi processado em 500 mil por isso Jason Miller de 25 anos salvou esse bebê caindo do quinto andar e foi processado pela própria mãe do bebê para pagar $500.000. Basicamente, o cara estava passeando ali, tomando um negocinho, olhou, viu um bebê caindo da sacada, e pegou o bebê, cara, milagrosamente, conseguiu agarrar o bebê. Ele mesmo podia ter se machucado, até perdido a vida se o bebê caísse na cabeça dele, sei lá. Salvou a criança.

Daí, imediatamente ligou para a polícia, para os bombeiros, para a ambulância, enfim. A ambulância chegou, pegaram o bebê, ele acompanhou, ficou do lado do bebê o tempo todo. O bebê foi para a cirurgia e sobreviveu, porém ia precisar de uma reabilitação longa, por conta dos machucados nas pernas e nos braços. E agora que vem o mais inacreditável: a filha da p**a, a rapariga da mãe dele, dessa criança, processou o cara falando de fazer um resgate perigoso. O cara salvou a criança do quinto andar, e tem o vídeo do cara segurando a criança, velho. E a situação está tão caótica, salvar uma pessoa pode gerar processo.

E assim, qual que é a outra alternativa, né? A criança cair e morrer? Se tu está passando na rua, se tu vê uma criança atropelada, tu deixa, porque vai que tu salva ela, se machuca, quebra os braços, ou tu puxou… que nem foi o caso, né, de ele puxar forte, a criança ia cair no chão, e já era, literalmente, e ganhou um processo da mãe. Esse é o mundo que estamos vivendo, galera. Que, olha, não vai nem precisar de advogado para ganhar esse processo aqui, eu imagino, né? Pense bem antes de salvar… não, estou brincando. Salva. Se acontecer isso aqui, não é, tu não vai perder o processo, não tem como.

Checagem

Para verificar a veracidade dessa narrativa, o Boatos.org investigou as alegações, as fontes das imagens e o contexto legal. As principais dúvidas que nos guiaram foram: 1) Um homem chamado Jason Miller salvou uma criança que caiu do 5º andar e foi multado em US$ 500 mil? 2) Como foram feitas as imagens que acompanham a história que aponta que um homem chamado Jason Miller salvou uma criança que caiu do 5º andar e foi multado em US$ 500 mil? 3) A história em questão faz algum sentido?

Um homem chamado Jason Miller salvou uma criança que caiu do 5º andar e foi multado em US$ 500 mil?

A busca por registros jornalísticos, processos judiciais ou qualquer menção crível a um “Jason Miller” que salvou uma criança de uma queda do quinto andar e foi posteriormente processado em US$ 500 mil não retornou resultados que confirmem a história. Trata-se de uma alegação que não encontra respaldo em fatos. Não existe, na realidade, a ocorrência desse resgate nas circunstâncias descritas e, consequentemente, não há registro do processo milionário. A história é uma invenção completa, sem qualquer base na realidade.

Como foram feitas as imagens que acompanham a história que aponta que um homem chamado Jason Miller salvou uma criança que caiu do 5º andar e foi multado em US$ 500 mil?

Um elemento crucial que impulsionou a viralização desta história foi o “vídeo gigantesco” que a acompanha. Nossa investigação apurou que as imagens que circulam na internet, mostrando a cena de resgate e o homem segurando a criança, são, na verdade, criações de inteligência artificial. O uso de imagens falsas para dar credibilidade a narrativas inventadas é uma tática comum em boatos, e, neste caso, a qualidade da produção de IA contribuiu significativamente para a disseminação da desinformação.

A história em questão faz algum sentido?

Além da falta de evidências, a própria premissa da história carece de lógica legal e moral. Em muitos sistemas jurídicos, especialmente nos Estados Unidos (onde o valor em dólares sugere que o caso teria ocorrido), existem leis de “Bom Samaritano” (Good Samaritan law) que visam proteger de responsabilidade civil aqueles que prestam assistência de boa-fé a pessoas feridas, doentes ou em perigo. O objetivo dessas leis é justamente encorajar as pessoas a ajudar sem medo de retaliação legal.

Embora as leis variem e processos possam ocorrer, a ideia de um salvador ser multado em uma quantia tão grande por um ato de resgate é profundamente inconsistente com o espírito e a letra da lei, que prioriza o socorro e a preservação da vida. Se um resgate causa ferimentos, a avaliação legal geralmente considera se houve negligência grave, não apenas o ato de salvar em si. No caso apresentado, a alegação de um processo por “resgate perigoso” em um contexto de queda iminente do quinto andar é descabida.

Conclusão

A história de Jason Miller, o herói processado em US$ 500 mil por salvar um bebê que caiu do quinto andar, é completamente falsa. Não há registros de tal evento ou processo judicial. As imagens que acompanham o boato são criações realistas geradas por inteligência artificial e a premissa de um processo com essas características contraria o princípio das leis de proteção ao bom samaritano, que buscam incentivar, e não punir, atos de resgate. Trata-se de uma narrativa fabricada para gerar engajamento e debate, explorando o senso de indignação do público.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)