Boato – O chefe da segurança do Rio de Janeiro teria detonado Lula em um discurso duro após megaoperação policial.
Análise
Desde o início de uma megaoperação policial no estado do Rio de Janeiro, que resultou em um alto número de mortes, intensificou-se a circulação de conteúdos nas redes sociais que discutem a segurança pública e as responsabilidades de diferentes esferas de governo. No calor deste debate, mensagens em aplicativos de mensagens e plataformas como o Instagram passaram a veicular um vídeo que supostamente mostraria o chefe da segurança do Rio de Janeiro fazendo um discurso incisivo.
O áudio em questão, que rapidamente se espalhou, contém duras críticas ao governo federal, referindo-se ao presidente da República como “narcopresidente” e ao país como um “narcoestado”. A mensagem, carregada de retórica forte, sugere que o suposto “chefe da segurança” estaria “acabando com Lula” por conta da falta de apoio e da política de segurança nacional. O conteúdo que está circulando é o seguinte:
CHEFE DA SEGURANÇA DO RIO DE JANEIRO ACABOU COM LULA …. Nesse exato momento, temos policiais baleados, temos policiais que foram a óbito. E isso jamais seria possível se nós não tivéssemos uma narcomilitância, um narcopresidente, uma narcocultura. E às vezes sendo governados por narcopolíticos e por narcoautoridades. Que estão nos conduzindo para uma narcoditadura, um narcoestado. É bem verdade que o governador Cláudio Castro tem investido pesadamente, e na minha concepção, apesar dos pesares, tem feito um bom trabalho. Evidentemente que precisamos avançar.
E por óbvio, eu não sou o governador do estado, quem tem legitimidade para dar ordem, porque ele que é o chefe das forças policiais, é o governador Cláudio Castro. Mas no lugar dele, eu só sairia dos complexos da Penha e do Alemão quando Do Carvão, Gardenal, Johnny Bravo e toda aquela vagabundagem estivessem neutralizados. E depois isso poderia se estender para Pechão, Coronel e tantos outros. Quem deve imperar nos bairros e municípios é o Estado, é a Lei e a Ordem, são as Forças Policiais, e não traficantes e milicianos. Ninguém aguenta mais. Teve um sem-vergonha que disse recentemente que traficante é vítima. Senhores, a violência que nós estamos testemunhando aqui no estado do Rio de Janeiro, por todo o Brasil, não é obra do acaso. É um projeto de poder de tons vermelhos.
Nós sabemos quem são aqueles que defendem criminosos. E o mais triste é que esses vagabundos estão nos governando. Até quando? Até quando 200 milhões de brasileiros suportarão uma cleptocracia? Até quando nós veremos criminosos mandando fechar o comércio, extorquindo empresários, subjugando a população de bem, matando trabalhadores como se estivessem matando barata? Até quando? Até quando o Congresso Nacional vai endurecer as nossas, a nossa legislação penal e prisional? Criminosos de alta periculosidade não podem ter direito a visita íntima – cadeia não é motel! – não podem ter direito à progressão de regime, não podem ter direito à remissão de pena, não podem ter direito a auxílio-reclusão, não podem ter direito a saidinha! Até quando o Governo Federal vai parar de engodo, de falácias, e vai ajudar verdadeiramente o Estado do Rio de Janeiro? Porque nós não produzimos cocaína, nós não produzimos maconha, nós não produzimos fuzis, mas são os policiais que estão tendo que lidar com toda essa merda que não foi criada por nós!
O Governo Federal pode ajudar, pode ajudar mandando recursos e deixando que o Governo do Estado e os seus profissionais de segurança digam para onde esses recursos serão aplicados. Pode complementar o salário dos policiais nessa guerra, que há muitos anos somos nós que estamos fazendo o trabalho também da Polícia Federal. Pode ajudar no regime de recuperação fiscal, porque o Governo Federal hoje age como agiota, extorquindo o nosso estado. Não permitindo que o estado se desenvolva de uma maneira mais ampla, porque tem que pagar juros sobre juros. Até quando isso? Até quando as famílias dos policiais receberão a notícia: veja bem, seu ente querido morreu… Um pesquisador de São Paulo foi para dentro dos presídios paulistas.
Ele fez uma pesquisa ampla. E uma das perguntas que ele fez para os presos foi: ‘O que precisaria ser feito para que os senhores não cometessem crimes?’ Sabem o que os bandidos responderam? Quem acha que os bandidos responderam: ‘Nós queremos mais oportunidades’? Levante a mão aí, por favor. Quem acha que os bandidos responderam: ‘Queremos justiça social’? Levante a mão, por favor. Quem acha que os bandidos responderam: ‘Queremos educação de qualidade’? Levante a mão, por favor. Ninguém levantou. Acertaram. Porque em primeiro lugar, o que os próprios bandidos disseram que deveria ser feito para que eles não cometessem mais crimes: primeiro lugar, pena de morte. Segundo lugar, prisão perpétua. Terceiro lugar, prisões duríssimas, penas duríssimas. Foram os presos que disseram isso! Será que as nossas autoridades não sabem disso? Faça um plebiscito hoje. A maioria esmagadora da população vai querer pena de morte para os presos considerados de alta periculosidade. Quem são eles? Milicianos, traficantes, membros de grupo de extermínio, sequestradores, pedófilos, estupradores e por aí vai. Quem tem que ser tratado como rei é o trabalhador que saiu de casa hoje às 4h da manhã e vai voltar às 20h da noite. Bandido tem que ser tratado com rigor da lei. Cadeia não tem como função primeira ressocializar, mas punir quem cometeu crimes. E essa vergonha já foi longe demais
Checagem
O discurso, de fato, existe e circula com bastante intensidade nas redes, mas a informação de que ele seria proferido pelo chefe da Segurança do Rio de Janeiro não se sustenta. Buscamos a resposta para as seguintes questões: 1) Quem é o “chefe da Segurança do Rio de Janeiro” e quem está no vídeo? 2) Chefe da segurança do Rio detona Lula e cita o Brasil como “narcoestado”? 3) O discurso que cita Lula como narcopresidente e o Brasil como narcoestado se sustenta?
Chefe da segurança do Rio detona Lula e cita o Brasil como “narcoestado”?
Apesar da intensa circulação nas redes sociais, que atribui o discurso ao chefe da segurança pública do Rio de Janeiro, essa informação não é verdadeira. O conteúdo é autêntico, mas não é de autoria do secretário de Segurança do estado. A checagem detalhada mostrou que o vídeo foi gravado por outro político e a atribuição equivocada da fala é um erro que distorce a informação original.
Quem é o “chefe da Segurança do Rio de Janeiro” e quem está no vídeo?
O atual secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro é uma pessoa diferente da que aparece no vídeo viralizado. O orador no vídeo, que faz as críticas ao Governo Federal, é o deputado estadual Márcio Gualberto, filiado ao PL e, portanto, um parlamentar de oposição. Gualberto gravou e divulgou o vídeo, que ganhou tração no contexto de uma megaoperação policial, com críticas diretas à postura do governo federal em relação à segurança pública.
O discurso que cita Lula como narcopresidente e o Brasil como narcoestado se sustenta?
O discurso do deputado Márcio Gualberto, que utiliza os termos “narcopresidente” e “narcoestado”, faz parte de uma retórica política de crítica e oposição, especialmente após a fala do presidente Lula sobre traficantes, da qual o próprio presidente se retratou posteriormente. Embora a situação de segurança no Rio de Janeiro seja grave e seja tema de intenso debate, a classificação do Brasil como um “narcoestado” é um exagero retórico, uma hipérbole utilizada com fins de crítica política. A fala, portanto, deve ser compreendida no âmbito do debate político e não como uma avaliação técnica da segurança pública pelo chefe da pasta estadual.
Conclusão
A mensagem que circula afirmando que o chefe da Segurança do Rio de Janeiro teria detonado o presidente Lula e chamado o Brasil de “narcoestado” não corresponde à realidade. O discurso, carregado de retórica forte, de fato existe e foi proferido pelo deputado estadual Márcio Gualberto (PL), um membro da oposição, e não pelo secretário de segurança do estado. A atribuição equivocada da autoria do vídeo distorce o contexto e a fonte da crítica política.
Fake news ❌
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