Boato – A jornalista americana Amy Collins pediu desculpas públicas a Lula durante um encontro na Malásia, em um gesto que emocionou até os seguranças.
Análise
Em um cenário político cada vez mais polarizado, histórias que celebram a humanidade, o perdão e a união tendem a ganhar as redes sociais com uma velocidade impressionante. Mensagens que circulam recentemente apontam para um desses momentos: um suposto encontro na Malásia entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma repórter americana, Amy Collins, que culminou em um pedido de desculpas público e um gesto de empatia do líder brasileiro, que teria comovido até mesmo os seguranças presentes no local.
A narrativa detalha uma cena dramática em uma sala de conferências em Kuala Lumpur, descrevendo o nervosismo da jornalista, conhecida por suas críticas a Lula, e a postura calma do presidente. O momento culminante seria o pedido de desculpas de Amy, que teria percebido a “humanidade” de Lula ao vê-lo ao lado de outro líder. Leia texto e trechos da transcrição:
Repórter americana pediu desculpas a Lula… e o gesto dele emocionou até os seguranças” Durante um encontro histórico na Malásia, uma repórter americana que antes criticava Lula acabou vivendo um dos momentos mais emocionantes de sua carreira. Diante das câmeras, ela pediu desculpas — e o gesto inesperado do presidente brasileiro comoveu até os seguranças presentes. Uma história real de humanidade, empatia e perdão… que ultrapassou fronteiras e emocionou o mundo inteiro.
As câmeras já estavam posicionadas. A sala de conferências em Kuala Lumpur, na Malásia, estava cheia de jornalistas do mundo todo. O encontro entre Lula e Donald Trump havia virado o assunto do momento. Dois líderes, dois estilos, um mesmo palco, mas ninguém imaginava o que aconteceria depois. Entre os repórteres estava Amy Collins, jornalista americana conhecida por suas críticas duras a Lula. Ela o chamava de populista, teatral, presidente de emoções, e agora estava ali a poucos metros dele, com o microfone tremendo nas mãos.
Quando Lula entrou, o ambiente mudou. Trump manteve o semblante firme, o mesmo olhar de empresário calculista. Já Lula, de terno simples e sorriso leve, cumprimentava todos, até quem o evitava. A câmera captou o instante em que os dois se cumprimentaram. Um aperto de mão rápido, mas sincero. As luzes dos flashes estouraram e, no fundo da sala, Amy respirou fundo. Era a primeira vez que via de perto o homem que anos atrás ela havia chamado de encenação política.
O moderador anunciou: “Agora abriremos perguntas para a imprensa internacional.” Amy levantou a mão. Os olhos dela denunciavam nervosismo. O tradutor cochichou algo ao ouvido de Lula e ele assentiu, olhando diretamente para ela. “Senhor presidente”, começou Amy com a voz embargada. “Anos atrás, eu critiquei o senhor e hoje, depois de ver o senhor ao lado de Trump, eu percebi que talvez tenha julgado errado.” O auditório ficou em silêncio. Ninguém esperava uma pergunta assim, muito menos uma confissão. Ela continuou: “Eu disse que o senhor representava um país dividido, mas agora vejo que o senhor carrega algo que nós jornalistas esquecemos. Humanidade.” […]
Checagem
Para desvendar a verdade por trás desta história, buscamos informações que pudessem comprovar a ocorrência do evento e a identidade da repórter citada. As perguntas-chave para a checagem são: 1) Uma repórter americana se desculpou com Lula após o criticar na Malásia? 2) Existe alguma repórter americana chamada Amy Collins que tenha relação com Lula? 3) E, por fim, este conteúdo é proveniente de alguma fonte já conhecida por espalhar desinformação?
Repórter americana se desculpa com Lula após o criticar na Malásia?
Apesar da riqueza de detalhes e do apelo emocional, não há nenhum registro em fontes confiáveis de que tal evento tenha ocorrido. Uma busca detalhada em jornais e agências de notícias brasileiras e internacionais sobre a passagem de Lula pela Malásia não aponta para qualquer encontro em que uma jornalista americana tenha pedido desculpas públicas ao presidente.
O suposto encontro na Malásia, especialmente com a presença de Donald Trump, conforme o texto sugere, também não encontra respaldo na agenda oficial dos líderes ou em cobertura jornalística da época, indicando que a narrativa é uma ficção.
Existe alguma repórter americana chamada Amy Collins que tenha relação com Lula?
A checagem aponta que a jornalista “Amy Collins” não existe no cenário da cobertura política internacional em que a história a insere. Embora haja pessoas com nomes semelhantes, como a escritora Amy Fine Collins ou a influenciadora digital com o perfil @thereal_amycollins, nenhuma delas é uma repórter americana conhecida por ter criticado Lula ou participado de uma coletiva de imprensa com ele. A ausência de um nome ou uma fonte verificável para a personagem é um forte indício de que a história é fabricada.
Há outras fake News da mesma fonte?
Sim. O conteúdo em questão tem sido veiculado por canais conhecidos por criar histórias com forte apelo emocional e de teor político, com o objetivo claro de atrair cliques. Outras checagens feitas pelo Boatos.org sobre conteúdo proveniente da mesma fonte incluem histórias como a que alegava que Fátima Bernardes teria elogiado Lula por um combate a um “tarifaco” de Trump, ou que Ana Maria Braga teria elogiado Lula ao vivo na Globo, e até que Ivete Sangalo teria chorado e feito um discurso emocionante sobre Lula em um show.
Conclusão
A história sobre a repórter americana Amy Collins pedindo desculpas a Lula após criticá-lo é completamente falsa. Não há qualquer evidência de que o encontro tenha ocorrido, que a jornalista com esse nome e histórico exista no contexto narrado, e o conteúdo segue um padrão já identificado de desinformação com o objetivo de gerar engajamento. A narrativa é uma peça de ficção que se disfarça de notícia para atrair cliques.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

