Boato – Donald Trump teria assinado uma ordem executiva classificando Jair Bolsonaro como refém político.
Análise
Nos últimos dias, começaram a circular nas redes sociais mais mensagens que colocam o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como protagonista em defesa de Jair Bolsonaro. Segundo os textos, Trump teria assinado uma ordem executiva inédita classificando o ex-presidente brasileiro como “refém político”.
O boato foi compartilhado em sites e perfis de viés político e ganhou força com as sanções internacionais contra o Brasil e membros do STF, como Alexandre de Moraes. Confira abaixo a íntegra do texto que circula:
TRUMP ASSINA ORDEM QUE CLASSIFICA BOLSONARO COMO REFÉM POLÍTICO. Em um movimento significativo, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que permite aos Estados Unidos classificar o ex-presidente Jair Bolsonaro como um refém político. Essa ação surge em meio a um crescente clamor internacional sobre a perseguição judicial e política que Bolsonaro vem enfrentando desde sua saída do cargo.
A nova ordem executiva destaca a necessidade de proteção a líderes estrangeiros que são alvo de perseguições injustas, e a situação de Bolsonaro se encaixa perfeitamente nesse contexto. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já se manifestou sobre a situação, enfatizando que a administração americana está atenta aos abusos de poder que qualquer governo pode exercer contra seus opositores.
Analistas políticos preveem que, nas próximas semanas, poderemos ver ações mais efetivas por parte dos EUA em defesa de Bolsonaro. Essa movimentação não apenas traz visibilidade ao caso, mas também pressiona o governo brasileiro a reconsiderar suas práticas de repressão política. Além disso, a possibilidade de que Bolsonaro seja reconhecido como refém político pode abrir portas para sanções ou intervenções diplomáticas, caso a perseguição se intensifique. Essa estratégia pode ser uma ferramenta poderosa para garantir que a justiça prevaleça, não apenas no Brasil, mas em qualquer lugar onde a democracia esteja ameaçada.
A medida também mobiliza a comunidade conservadora, que vê em Bolsonaro um símbolo de resistência contra o autoritarismo. Com a crescente atenção dos EUA, a esperança é de que a pressão internacional possa resultar em um ambiente mais favorável para o ex-presidente. Por fim, esta nova ordem executiva não apenas fortalece a posição de Bolsonaro no cenário internacional, mas também destaca a importância da solidariedade entre nações que compartilham valores democráticos. A luta pela liberdade é uma causa que transcende fronteiras, e os Estados Unidos, sob a liderança de Trump, parecem determinados a defender essa causa.
Checagem
O texto gerou engajamento, mas carece de qualquer respaldo factual. Para esclarecer, vamos responder a três perguntas centrais: 1) Trump assinou ordem executiva classificando Bolsonaro como refém político? 2) Esse tipo de ordem é legalmente possível nos EUA? 3) Existem fake news similares envolvendo Trump e o Brasil?
Trump assinou ordem executiva classificando Bolsonaro como refém político?
Não. Não há qualquer registro oficial no site da Casa Branca ou em portais jornalísticos confiáveis sobre a assinatura de uma ordem executiva com esse teor. A narrativa foi inventada para criar a impressão de que Bolsonaro teria apoio direto de Washington em seus processos jurídicos no Brasil. Neste caso, não procede.
Esse tipo de ordem executiva é legalmente possível nos EUA?
Também não. Ordens executivas são instrumentos usados pelo presidente norte-americano, mas sua abrangência limita-se à administração pública dos EUA. Não há qualquer previsão legal para classificar cidadãos de outros países como “reféns políticos” em documentos oficiais.
A alegação de que Trump poderia estender esse tipo de medida ao ex-presidente brasileiro não encontra respaldo no sistema jurídico norte-americano e soa como uma deturpação para dar verossimilhança ao boato.
Há fake news similares sobre Trump e o Brasil?
Sim. Essa não é a primeira vez que mensagens falsas conectam Trump a Bolsonaro de maneira fantasiosa. Já circulou a história de que Trump teria enviado um advogado para defender Bolsonaro na ONU e no STF, desmentida aqui. Outra farsa apontava que o republicano cortaria a internet no Brasil por três dias, também refutada neste link. Há ainda a fake news de que ele teria feito um discurso em português para apoiar manifestações pró-Bolsonaro, explicada neste artigo.
Conclusão
Não é verdade que Donald Trump tenha assinado uma ordem executiva classificando Jair Bolsonaro como refém político. O boato é fruto de manipulação, juridicamente impossível e parte de uma série de fake news que tentam aproximar o ex-presidente dos EUA de Bolsonaro para gerar apoio político artificial.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

