Informação errada: aborto pós-nascimento vira moda nos EUA

By | 01/11/2014
Aborto pós-nascimento é moda no EUA, diz boato

Aborto pós-nascimento é moda no EUA, diz boato

Boato – Ativistas estão começando a aceitar o “aborto pós-nascimento”, ou seja, matar a criança depois que ela nasce.

O debate entre grupos pró e contra o aborto é, inevitavelmente, quente na internet. Enquanto os apoiadores dizem que o aborto é uma forma de proteger a mulher, os contrários à prática tratam o assunto como crime. No meio do debate, sempre aparece algum boato.

Quer se livrar de boatos? Clique para curtir o Boatos.org

E uma história tem chamado atenção na web. Publicada em sites de língua portuguesa no dia 31 de outubro, um artigo traduzido do blog do Fix College aponta que um grupo de estudantes norte-americanos estão começando a apoiar o “aborto pós-nascimento”. Ou seja, a prática de matar a criança recém-nascida estaria virando moda. Leia trechos do texto (que é gigante em português):

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 Aborto é coisa do passado, a moda nos EUA agora é o infanticídio explícito.

Uma tendência observada por ativistas pró-vida próximos de estudantes universitários nos EUA, é a crescente aceitação do “aborto pós-nascimento”, ou seja, matar a criança depois que ele ou ela nasceram, afirmam líderes pró-vida ao “The Fix College”.

A evidência anedótica constatada por líderes dos grupos pró-vida como “Criados Iguais” e “Sobreviventes ao Holocausto do Aborto” disseram em entrevistas que não só eles vêem mais estudantes universitários que dizem apoiar o aborto pós-nascimento, mas alguns estudantes ainda sugerem que as crianças até 4 ou 5 de idade também podem ser mortos, porque eles ainda não são “auto-conscientes”.

“Nós encontramos pessoas que pensam que é moralmente aceitável matar bebês após o nascimento em quase todos os campus visitados”, disse Mark Harrington, diretor de “Criados Iguais”. “Enquanto este ponto de vista ainda é considerado absurdo pela esmagadora maioria das pessoas, a idéia está se tornando cada vez mais popular.”

Dado o seu caráter alarmista, a história acabou chamando atenção. Mas vamos fazer uma análise mais aprofundada até chegar a alguma conclusão. O primeiro ponto é verificar a fonte da história. O texto foi escrito por um blog extremamente conservador que aponta que “a maioria das pessoas apoiam o assassinato de bebês nas universidades”.

Não são incomuns textos sensacionalistas apontando para “modas” em diversos lugares do mundo. Um exemplo já apresentado aqui no Boatos.org é a história de que beijar olho havia virado moda no Japão. Na realidade, apenas foi registrado um caso no país.

Para tentar comprovar a tal história, tentamos buscar na web o termo Post Birth Abortion. Partimos de um princípio de que, se virou moda, vários grupos defenderiam a tese na web. Como era de se esperar, a maioria das páginas não era de apoio. O que achamos foram apenas histórias relacionadas com o post. Mas como um assunto em que a maioria dos jovens apoia não é divulgado na internet por meio de campanhas?

Nesta busca, chegamos a dois links interessantes. Um deles é deste site em que um dos entrevistados da matéria do The Fix College nega as afirmações ditas no texto. Outro link é do site Snopes, que desmente boatos na internet. Ele derruba a tese de que jovens estão apoiando o infanticídio.

Resumindo: por ser um texto vago e extremamente carregado de suposições, a história de que a maioria dos jovens americanos estão apoiando o aborto pós-nascimento é falsa. É só mais um post alarmista de um site conservador.

14 thoughts on “Informação errada: aborto pós-nascimento vira moda nos EUA

  1. Marcos Antonio Gusmão

    Não é BOATO não ! Tese defendida na revista Journal of Medical Ethics !

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  2. Gustavo

    Em resumo o site que é progressista considera que é boato porque veio de um site conservador..

    O mais desonesto disso é este site tentar se colocar como isento, acima de ideologias e preconceitos.

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  3. Isabela

    Acredito que essa idéia de “aborto” pós-nascimento possa realmente existir e ter seus adeptos e defensores – afinal, neste mundo há louca para tudo, como as pessoas que acreditam em superioridade de certas raças -, mas, com certeza, a estratégia de disseminar esta aberração, atribuindo à maioria de estudantes universitários a concordância com o infanticídio, é uma tentativa DESCARADA de deslegitimar o movimento pró-aborto, colocando como farinha do mesmo saco a luta das mulheres pela liberdade de seus úteros e infanticidas.
    É de extrema importância deixar uma coisa bem clara: mulheres aborteiras não são criminosas, não são homicidas, tendo em vista que a demarcação do início da vida ainda não é estabelecida.

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  4. ANA

    “Se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é que nós podemos dizer às outras pessoas para não se matarem?” Madre Tereza de Calcutá

    Credo, nenhum cachorro faz isso com seus filhotes!

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  5. Pedro Alves

    Aceito que a palavra «moda» possa dar a ideia de que serão muitos apoiantes. Mas é verdade que a ideia é defendida à anos em fóruns universitários. E isto não é boato.

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  6. Antonio

    A quem interessa dizer que “aborto pós-nascimento vira moda nos EUA” é informação errada e de site conservador? Tratar assunto tão grave como se fosse coisa inventada por supostos conservadores?

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  7. Luan

    A noticia de que a maioria dos universitários estão aceitando esta ideia pode até ser falsa, mas a tentativa de disseminação da mesma é verdadeira. Isto de ser verificado no artigo publicado por dois professores de Filosofia e Ética Politica das universidades de Canberra e Melbourne na Australia.
    O artigo intitulado “After-birth abortion: why should the baby live?” defende os seguintes pontos:

    1) ambos, fetos e recém-nascidos, não têm o mesmo estatuto moral das pessoas reais; 2) o fato de que ambos são pessoas potenciais é moralmente irrelevante, e 3) a adoção nem sempre ocorre no melhor interesse das pessoas reais.
    O artigo pode ser lido no link: http://jme.bmj.com/content/39/5/261.full.pdf+html?sid=7fa80ad2-afbb-4393-b697-4ccef0ab274b

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  8. Mayara

    RIDÍCULO (A) QUEM ACEITAR ISSO. E MAIS RIDÍCULA AINDA QUEM PRATICAR ESSA CRUELDADE. NA HORA DE ABRIR AS PERNAS FOI BOM, NA HORA DE ASSUMIR A RESPONSABILIDADE É UMA COITADA.

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    1. Antonio luiz domingues

      A quem interessa dizer que “aborto pós-nascimento vira moda nos EUA” é informação errada e de site conservador? Tratar assunto tão grave como se fosse coisa inventada por supostos conservadores?

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    2. Yasmin

      Pq sempre nos referimos à mulher como “vadia responsável”? Ngm faz filho com o dedo, o cara tbm é responsável e ngm lembra dele.

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    3. Ana

      E o pai? Cadê ele nessa história?
      Só a mulher que leva a culpa?
      Ninguém engravida sozinha

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      1. Iolanda

        sou mulher e te digo, os homens tem que serem responsabilizados mas as culpadas continuam sendo as mulheres, nós é que temos que nos cuidar se não quisermos engravidar, manter relação sexual não é necessário que engravide, o cara faz o serviço, veste as calças e vai embora, as trouxas engravidam.

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