Eleições no Tocantins quase foram anuladas porque 47% não foram votar #boato

Boato – 47% dos eleitores não foram votar em Tocantins. Se mais 4% não comparecessem às urnas, a eleição seria anulada e os candidatos ficariam inelegíveis por quatro anos.

Mais do que nunca, “2018” tá aí. A prova disso está na inúmera quantidade de discussões relacionadas aos dois principais eventos do ano: Copa do Mundo e eleições. E agora vamos falar de uma história falsa envolvendo eleições (já já a gente fala de Copa, ok?).

Circula no WhatsApp um áudio que aponta que “Brasília” está “apavorada” com o que aconteceu nas eleições suplementares de Tocantins (realizada em 3 de junho de 2018). De acordo com as informações passadas por um homem que não quis se identificar, por muito pouco as eleições não foram canceladas. O motivo? Ausência de eleitores.

A pessoa no áudio aponta que 47% dos eleitores não compareceram às urnas. Ele disse que, se mais “4% não pisassem nas urnas” (puxa!), as eleições seriam canceladas. Mais do que isso, os candidatos seriam impugnados e ficariam inelegíveis por 4 anos. No TRE, eles seriam registrados como “candidatos de rejeição popular”. Leia a transcrição e escute o áudio.

Aí meu amigo, o que eu venho dizendo para você. Não adianta Protesto, não adianta grito, não adianta a discórdia. Foi divulgado já na televisão que em Tocantins o prefeito e o vice foram afastados por corrupção. E marcaram novas eleições. Pasma para o que vou te falar: 47% da população não foi votar. Não apareceu lá. Sabe o que aconteceu? Isso já chegou ao conhecimento de Brasília e eles tão desesperado que se possa servir de inspiração para o restante do Brasil. Se mais de 50%, bastava apenas quatro por cento mais, não pisasse nas urnas, todos os candidatos seriam impugnados e ficariam inelegíveis por 4 anos e ficaria no TRE registrados como candidatos de rejeição popular. A força do povo não é grito, não é baderna, é o voto. Se ninguém votar, esse país muda. Esse país vai tomar nova cara.

A força do povo tá na urna. Como? Não pisando lá. Porque se você pisar lá, eles manipulam seu voto. Mas se você não for lá não tem como eles manipularem. A única maneira de acabar com todos os candidatos vagabundos que nós temos é deixando de ir na urna. Grave isso daí. Repassa isso aí. 47% do Estado de Tocantins não quis voltar. Mais 4, o estado mudaria o seu quadro eleitoral. Vamos passar isso. Vamos inspirar o país a fazer a mesma coisa. 4% a mais em relação que houve lá, a gente acaba com todos os candidatos a presidente, Governador vagabundos que tem nesse país. Que só tem eu vagabundo. Repasse isso daí.

Eleições no Tocantins quase foram anuladas porque 47% não foram votar?

Pois é. Um monte de gente começou a compartilhar a história como se fosse a “nova solução” para “trocar os corruptos”. Só tem um problema nisso, a história não só é falsa como também não faz o menor sentido. Para você entender tudo, vamos aos fatos.

Antes de explicar a história, vamos fazer uma contextualização para você que está achando esse papo de “eleições no Tocantins em junho” estranho. Tudo começou com a cassação do então governador do estado, Marcelo Miranda (MDB) e de sua vice, Cláudia Lélis (PV), por crimes eleitorais. Sem ninguém para ser governador, o TSE determinou novas eleições para um novo nome assumir o estado até 31 de dezembro.

O primeiro turno foi realizado (como dito antes) em 3 de junho de 2018. Os candidatos mais votados (e que vão disputar o segundo turno) foram Mauro Carlesse (PHS) e Vicentinho Alves (PR). Do total de 1.018.329 eleitores aptos a votar, 711.452 compareceram às urnas, o que representa 69,86%. Opa! E aí, achamos o primeiro furo. Mas antes um parêntese.

Antes de falar de números e de leis, vamos ao mais elementar. A mensagem que circula online segue as principais características de boatos online: é vaga, alarmista, com erros (principalmente de concordância), pedido de compartilhamento e não cita fontes. Só isso já seria motivo para que ela não fosse repassada. Voltamos aos números.

O primeiro dado (retirado do site do TSE) já derruba a tese de que 47% dos eleitores não compareceram. Apesar do alto número (31%), não é nem próximo do que é dito. Mesmo se somássemos votos brancos e nulos não chegaríamos ao total. Siga o nosso cálculo: 306.877 (não votaram) + 121.877 (nulos) + 14.660 (brancos). Se somarmos esse número, chegamos a 443.414 eleitores (43,54% dos 1.018.329 eleitores).

Ok. Já deu para ver que os números citados no áudio estão errados. Mas será que se 51% dos eleitores não fossem votar, a eleição seria anulada? Também é falsa a informação. Ela segue o mesmo preceito falso que aponta que 51% de votos nulos anulam eleições. Confere no vídeo abaixo:

Mas então, o que aconteceria se 51% dos eleitores não fossem votar? Elas apenas ficariam sem “voz”. Em uma eleição, o resultado é calculado apenas com base nos votos válidos (em algum candidato). Como sempre aponta o TSE (e o Boatos.org), votos não válidos (ou nulos) não anulam eleições.

Resumindo: não acreditem no áudio que circula online. Além de espalhar dados errados, a informação que aponta que 51% de ausência cancela eleições é apenas uma velha balela que insiste em viralizar graças ao compartilhamento dos mais incautos.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

Um comentário em “Eleições no Tocantins quase foram anuladas porque 47% não foram votar #boato

  • 15/06/2018 em 07:03
    Permalink

    Mesmo assim, acho que a intenção é boa, pois quando há rejeição por parte dos eleitores, a lei deveria atender a esse caso. Afinal, quem eleva o candidato ao cargo é quem vota nele. Se só uma minoria votar, significa que a maioria não o quer. Isto é só um exercício de raciocínio de minha parte. Não estou querendo dizer que o boateiro está legal.

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