Antropólogo Sandro Silva escreve texto com críticas a Marielle Franco #boato

Boato – O antropólogo, sociólogo e defensor dos direitos humanos Sandro Silva escreveu um texto falando que a vereadora Marielle Franco era ultra esquerdista e tinha ideias nefastas e tortas.  

No final da noite de 14 de março de 2018, mais uma notícia sobre a violência do Rio de Janeiro chocou o país. Como era de se esperar, a morte da vereadora pela cidade do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) causou comoção. Mesmo com este cenário, os primeiros boatos sobre o assunto já começam a circular na web.

Uma das histórias que mais chamou atenção dá conta do que seria o depoimento de um antropólogo, sociólogo e defensor dos direitos humanos chamado Sandro Silva sobre Marielle. O texto é uma crítica à vereadora, suas atitudes e ao “ultra esquerdismo” e os bandidos. Não vamos colocar o texto inteiro. Só o começo, para vocês terem uma ideia do como é o texto:

Só assim, a sociedade manifestando-se, conseguiremos destruir o discurso hipócrita da esquerda comunista bandida. Pior que a mídia MENTE e muitos caem na onda, por pura preguiça de ler textos longos como este. Sandro Silva Antropólogo , Sociólogo e ativista dos direitos humanos

A vereadora carioca Marielle Franco, assassinada ontem à noite no Rio de Janeiro, era uma ultra esquerdista, com ideias nefastas e totalmente tortas, uma eterna defensora de bandidos, defendia liberação das drogas, era contra a intervenção federal na segurança do estado, defendia a doutrinação de esquerda nas universidades e escolas, pregava o ódio em tempo integral, pregava a divisão entre as pessoas – fosse entre brancos e negros, entre homens e mulheres, entre ricos e pobres.

Sua última acusação foi através de uma postagem onde acusava a PM – como somente a esquerda e principalmente os psolistas sabem fazer -, mas nunca, em momento algum, se incomodou com a ocupação dos morros pelos traficantes, nunca questionou o absurdo da venda de drogas em mercado aberto nos morros, jamais se escandalizou com o total domínio dos traficantes, que andavam e ainda andam armados com armas de alto calibre pelas ruas de forma petulante, onde as pessoas têm de conviver com isso como se fosse algo natural.

Antropólogo Sandro Silva escreve texto com críticas a Marielle Franco?

O texto viralizou muito na internet, principalmente por um detalhe: ele é assinado por um “defensor dos direitos humanos” e não por qualquer reacionário acostumado com o discurso de “direitos humanos para humanos direitos”, “armas nos fazem bem”, “bandido bom é bandido morto” etc. Mas será mesmo que o antropólogo Sandro Silva escreveu a carta? A resposta é não. Vamos aos fatos.

Não vamos entrar no mérito do conteúdo da carta. Apenas vamos nos limitar a dizer que é, no mínimo, deselegante tentar culpar alguém que recém foi executado de forma cruel, com quatro tiros, pela própria morte. Dito isso, temos algo para contar: não foi um antropólogo, sociólogo e defensor dos direitos humanos chamado Sandro Silva que fez a carta.

Ao bater o olho no texto, já percebemos que o conteúdo não condiz com os créditos do texto. Seria muito estranho um defensor dos direitos humanos escrever algo do tipo. Com base nisso, fomos procurar se existe algum Sandro Silva que preenche os requisitos. Achamos apenas o professor Sandro José da Silva, da Universidade Federal do Espírito Santo. Leia o currículo Lattes do professor:

Doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas e Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo. Professor Adjunto na Universidade Federal do Espírito Santo na Graduação em Ciências Sociais e nos Programas de Pós-Graduacão em Ciências Sociais e Direito. Membro do Comitê de Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia. Desenvolve projetos de pesquisa e extensão sobre relações etnicoraciais, patrimônio cultural e Direitos Humanos. É consultor da temática povos e comunidades tradicionais.

Com base nisso, procuramos pelo antropólogo Sandro Silva e chegamos ao perfil do Facebook dele. Na rede social, ele negou que seja o autor do texto que viralizou na internet. Leia:

Prezados amigos, um texto recionario está circulando nas redes sociais assinado como Sandro Silva. Nao fui eu quem o escreveu. Peço que desconsiderem tal mensagem pois não condiz com meus pensamentos e práticas sobre Direitos Humanos.

Você pode estar falando, “ah cara. Mas era outro Sandro Silva”. Até pode ser, mas não é um antropólogo, sociólogo e defensor dos direitos humanos Sandro Silva. Vasculhamos na web e não achamos nenhum que se encaixe nos requisitos. Por sinal, não achamos um “corajoso” que assumiu a autoria do texto.

Resumindo: a história que aponta que um defensor dos direitos humanos escreveu um texto criticando a vereadora Marielle Franco é falsa. O texto surgiu como tantos outros na web: sem uma assinatura ou com uma assinatura inóqua. Só depois de um tempo que ele passou a ter um “autor”. Fake, claro.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

5 comentários em “Antropólogo Sandro Silva escreve texto com críticas a Marielle Franco #boato

  • 17/03/2018 em 18:30
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    O autor pode ser fake mas o texto é perfeito.

    Resposta
  • 17/03/2018 em 15:49
    Permalink

    É preciso desmascarar os boatos com firmeza.
    O serviço prestado por vocês é de utilidade pública.

    Resposta
  • 17/03/2018 em 14:33
    Permalink

    Encontrei um Sandro Silva no Escavador e no Lattes, graduação e mestrado em Estudos Militares… faz sentido um autor militar, mas não sei se é verdade, de qualquer forma ele não é antropólogo.

    Resposta
  • 17/03/2018 em 08:17
    Permalink

    Bom dia. Não estou conseguindo encontrar o perfil no face do professor onde ele nega a autoria. Poderia informar o link?

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    • 20/03/2018 em 00:26
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      só colocar “sandro silva antropólogo” no facebook, pedir para adicionar e olhar a linha do tempo dele.

      Resposta

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