Professores devem ser pagos por hora, diz especialista ao MEC #boato

By | 09/10/2016

Boato – O economista Ferdinando Burlamaque disse ao MEC e ao Ministro da Educação, Mendonça Filho, que professores públicos devem ser pagos por hora.

Depois da proposta de reforma do Ensino Médio no Brasil, alguns setores da sociedade criticaram o Ministério da Educação e o governo Temer. Outros, elogiaram o projeto. No meio de tudo isso, é claro que muita boataria circula na internet.

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Especialista disse ao MEC que salário dos professores devem ser pagos por hora, diz boato

Especialista disse ao MEC que salário dos professores devem ser pagos por hora, diz boato

Há poucos dias, desmentimos uma história que falava que o MEC dizia que professores tinham que ter o fim de “regalias”. Na época, a fonte da informação era o site “Mídia Popular”. Dias depois, outra história surgiu na mesma página. A de que um especialista teria aconselhado o ministro Mendonça Filho que professores teriam que ser pagos por hora aula e não por jornadas semanais. Leia texto que circula online:

Salários dos professores públicos devem ser pagos por aulas dadas e não por jornadas semanais, diz especialista ao MEC

O economista Ferdinando C Burlamaque enviou ao ministro Mendonça Filho um extenso documento onde, dentre outros pontos, defende o fim da contratação de professores públicos por jornadas de trabalho, sejam de 20, 40 ou outro número qualquer de horas semanais.

Burlamaque é doutor em administração pública e especialista em políticas educacionais, e opina que o melhor é pagar o professor de acordo com a quantidade de aulas que ele efetivamente ministrar por dia, semana ou mês. Segundo assessores do MEC, Mendonça Filho está ansioso para ler o domento e deverá se posicionar sobre a questão tão logo obtiver um parecer técnico sobre o tema.

Para a educadora Graziella M Ibiapina, no entanto, tal ideia não passa de uma armadilha para tentar induzir os professores a mais sacrifícios e arrocho salarial. Ibiapina diz que esse método de pagar por hora dada é totalmente inviável, pois levaria a sérios conflitos nas escolas. “Quem determinaria, e sob quais critérios, que professor A ou B daria mais ou menos aulas?, indaga.

Tal projeto, pondera por fim a educadora, só interessa ao próprio ministro privatista Mendonça Filho e à maioria de prefeitos e governadores, que não têm compromissos com a educação pública ou melhorias para os profissionais da área. “Uma furada, portanto”, afirma. “O correto é lutar por uma carreira e política salarial nacional que contemple os anseio históricos do magistério”, conclui.

Especialista diz ao MEC que professores devem ser pagos por hora?

Não é preciso dizer que a história viralizou entre os mais críticos ao governo Temer e ao ministro da Educação. Mas será mesmo que Mendonça Filho e o MEC receberam o tal conselho de mudar o modelo de aulas dos professores públicos para o que acontece em algumas escolas particulares? A resposta é não. Vamos aos fatos.

Como o Mídia Popular já não é um total desconhecido em relação a boatos, já ficamos com um pé atrás quando lemos a notícia que veio de lá. A partir daí, resolvemos buscar mais informações sobre o tal relatório.

A primeira coisa que fizemos foi buscar os especialistas (o economista Ferdinando C. Burlamaque e a educadora Graziella M Ibiapina). Adivinha o que descobrimos? Se você disse “eles não existem” acertou em cheio.

Ao buscar pelo economista e pela educadora, chegamos apenas a textos do próprio boato (do próprio Mídia Popular e de outros sites). Nem um currículo sequer deles. Tentamos dar mais uma chance e procuramos por mais notícias a respeito do tal relatório. Como também era de se imaginar, nada foi encontrado nas nossas pesquisas.

Junte a isso o histórico recente do site. Além da matéria desmentida anteriormente por aqui, a página também já postou notícias sobre o MEC dizer que professores não se esforçam, que Temer que ficar mais 30 anos como presidente e até uma “resposta” ao boato das regalias (como se fosse verdade).

Com tudo isso, podemos afirmar que a história que aponta que um economista mandou relatórios sobre pagar professores por hora ao MEC e Mendonça Filho é boato. É mais uma balela que circula online.

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