Dilma só condenou ataques após pedido da França, diz história falsa

By | 15/01/2015
História na internet afirma que Dilma só se manifestou sobre ataque terrorista em Paris depois de ser cobrada pelo embaixador francês (Foto Embaixada Francesa)

História na internet afirma que Dilma só se manifestou sobre ataque terrorista em Paris depois de ser cobrada pelo embaixador francês (Foto Embaixada Francesa)

Boato – Após ataque terrorista, o embaixador francês no Brasil teve que pedir a presidente Dilma Rousseff para condenar publicamente o atentado.

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015. Dois homens fortemente armados entram na redação de um semanário francês e abrem fogo. Resultado: doze pessoas mortas e o mundo todo abismado.

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Como já mencionado em outras publicações, independente da época do ano, os boatos não tiram férias. E pelo jeito não deixam de fora nem crises de segurança internacionais. Como assim? Explicamos. O mundo está em alerta, a Al Qaeda assumiu a autoria do ataque terrorista em Paris e aí mais discórdia é plantada entre nós.

A mais recente se espalhou pela internet afirmando que a presidente Dilma Rousseff só se manifestou sobre o famigerado ataque depois de ser cobrada pelo embaixador francês, Denis Pietton. Segundo o texto, a presidente não estava preocupada em renegar o terrorismo. Confira o trecho:

‘Dilma somente se pronunciou sobre o massacre terrorista no jornal Charlie Hebdo, quarta (7), após veemente apelo do embaixador da França no Brasil, Denis Pietton. Diante do silêncio constrangedor do Brasil, enquanto todo o mundo rechaçava a chacina, Pietton telefonou a Marco Aurélio Garcia, aspone de assuntos internacionais aleatórios, cobrando a solidariedade do Brasil. Só então a nota oficial foi redigida. A nota condenando o terrorismo chegou a ser atribuída a Mauro Vieira, o novo chanceler. Mas, como os antecessores, ele tem medo de Dilma […]’

A postagem acima se espalhou feito pólvora na web. Rendeu milhares de curtidas e compartilhamentos e foi replicada sem sequer mudar uma vírgula por blogs de todos os tipos, em sua maioria de fiel oposição ao governo petista. Só um comentário sobre conteúdo replicado: geralmente é boato.

Além disso, nos valemos de um argumento que já tem ficado até gasto de tão usado no site. Se for importante, se for curioso, e neste caso, se coloca a diplomacia entre Brasil e França em situação constrangedora, a mídia hegemônica não perdoa, fala mesmo.

E adivinhem quantos veículos falaram sobre o dia em que a presidente do Brasil ficou em maus lençóis com a embaixada francesa? Nenhum. Jornais de peso como o La Nación, da Argentina, publicaram que Brasil e Chile foram os primeiros países da América Latina a se manifestarem sobre o ataque à revista Charlie Hebdo. E o G1 falou das duas notas publicadas em nome da presidente do Brasil.

A primeira nota oficial da presidente Dilma Rousseff foi publicada no mesmo dia (07), às 12h40. O jornal ABC, da Espanha, traçou o passo a passo do ataque e suas repercussões. Entre as atualizações lá está a manifestação do governo brasileiro.

De fato, muitos líderes se manifestaram antes de Dilma, como o presidente da Espanha, Mariano Rajoy e o primeiro ministro britânico, David Cameron via Twitter. Na nota oficial sobre assunto emitida pelo presidente dos EUA, Barack Obama, não há hora da postagem, mas isso importa?

Real mesmo é que o texto acusatório não menciona uma fonte sequer do caso. Não diz de onde tirou a informação, quem foi que contou o ocorrido, nem mesmo usa a clássica ‘fonte que não quis ser identificada’.

Duvidoso, no mínimo. E para que não nos acusem de conivência, continuamos na busca por qualquer prova de que esse desconforto com a França seja verdadeiro. No entanto, como já esperado, até agora nada.

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