Dilma joga cabide em empregada Jane, diz história falsa

By | 15/04/2015

Boato – Irritada com a arrumação dos vestidos, a presidente Dilma Rousseff jogou cabides na camareira do Palácio do Planalto em represália.

Já estivemos aqui para desmentir boatos de todos os tipos. Já elegemos várias vezes as características básicas de um boato. Geralmente tem algo minimamente relacionado com a realidade, o conteúdo muitas vezes é replicado, o veículo que posta a história não é confiável, o boato ressurge com diferenças mínimas e é repassado como verdadeiro.

Quer se livrar de boatos? Clique para curtir o Boatos.org

Boato espalha que presidente arremessou cabides na camareira após se irritar com arrumação dos vestidos

Boato espalha que presidente arremessou cabides na camareira após se irritar com arrumação dos vestidos

Hoje, desmentiremos (novamente) uma história que foge a uma das regras mais básicas dos boatos. Trata-se da notícia de agressão que a atual presidente Dilma Rousseff praticou contra uma funcionária do Palácio do Planalto.

Segundo a história, a presidente, descontente com a arrumação dos vestidos no guarda-roupa lançou cabides na camareira que sem medo retribuiu a agressão. Confira o texto:

‘[…]

Uma pessoa que não ama seus semelhantes, ou que não sabe expressar seu amor por eles, não pode ser amada. Que o diga Jane, ex-criada do Palácio da Alvorada.

Um dia, Dilma não gostou da arrumação dos seus vestidos. E numa explosão de cólera, jogou cabides em Jane. Que, sem se intimidar, jogou cabides nela.

O episódio conhecido dentro do governo como “a guerra dos cabides” custou o emprego de Jane.

Mas ela deu sorte. Em meio à campanha eleitoral do ano passado, Jane foi procurada pela equipe de marketing de um dos candidatos a presidente com a promessa de que seria bem paga caso gravasse um depoimento a respeito da guerra dos cabides.

Dilma soube. Zelosos auxiliares dela garantiram a Jane os benefícios do programa “Minha Casa, Minha Vida”, uma soma em dinheiro e um novo emprego. Jane aceitou. Por que não?’

O trecho acima foi publicado em um veículo com credibilidade, muitas vezes apresentado aqui como fonte para desmentir algo. Publicado no O Globo e por um jornalista de renome, Ricardo Noblat, a história não cabe no comum argumento ‘o veículo não é confiável’.

De resto, a suposta agressão se encaixa em todos os requisitos necessários a um boato. Primeiro, é uma história velha, um boato levemente modificado que surgiu durante a corrida presidencial no ano passado e que já foi desmentida aqui no Boatos.org.

Não há nenhuma confirmação convincente de que tal agressão seja verdadeira. A história que apareceu no Whatsapp e foi comprada pelo Diário do Poder até dois dias atrás não tinha ganhado repercussão em nenhum veículo de importância, como de costume.

Agora, o assunto deixa comunicadores e jornalistas indignados, como o blogueiro Felipe Moura Brasil que postou sua repulsa ao caso na Veja. Mas, aparece na internet principalmente como exemplo de jornalismo mal apurado ou mal simplesmente, como em um texto de Kiko Nogueira no Diário do Centro do Mundo.

Apenas a título de curiosidade, o nome que se diz ser da camareira – Jane – é um dos nomes da mãe da presidente, Dilma Jane, de 89 anos. Mais uma história que aparece sem provas e sem checagem, entre tantas que mancharam as eleições de 2014. Afinal, quem já se esqueceu da agressão que Aécio (não) cometeu contra a namorada, Leticia Weber?

Um boato fora do comum, pelas circunstâncias que já descrevemos, mas só um boato. A dúvida que resta é, se histórias falsas se tornarem recorrentes na mídia tradicional, sobra quem para acreditar?

4 thoughts on “Dilma joga cabide em empregada Jane, diz história falsa

  1. Samantha

    Este não é um boato. A PRÓPRIA DILMA comentou o caso, confirmando-o.

    Reply
  2. Carlos Celso Daniel Pereira

    A mesma razão que não permite afirmar categoricamente ser mentirosa a suposta refrega entre Dilma e a camareira, também não possibilita garantir que ela não ocorreu: a tal camareira jamais foi ouvida. Assim como pode ser pura invenção que houve uma briga, também pode ser verdade que ela ocorreu e que a empregada aceitou o suborno para ficar quieta. Num país onde o exemplo de posturas condenáveis vem de cima, pq, como questiona o artigo, uma trabalhadora que passa dificuldades para sobreviver não aceitaria ficar quietinha em troca de uma casa e de uma boladinha em dinheiro?

    Reply
  3. Roger

    A mídia tradicional é decadente, partidária e desleal.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *