Balela: governo vai proibir histórias em quadrinhos no Brasil

By | 04/08/2014
Boato espalha fim das hqs no Brasil.

Boato espalha fim das hqs no Brasil.

Boato – Lei aprovada pela Presidência da República inviabiliza publicações em quadrinhos no Brasil.

Erguem-se os tons e estremecem-se os ânimos. Nas redes sociais, multiplicam-se os comentários, os compartilhamentos, as longas postagens em defesa ou ataque. Uma batalha épica, com heróis e vilões, com pessoas indefesas que precisam ser protegidas e com um final feliz longe do fim. E tudo se trata do que? Não, não é uma a sequência de ‘Os Vingadores’nem o próximo filme de ‘O Homem de Aço’. É a velha e arrastada discussão sobre a proibição de publicidade destinada ao público infantil.

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Na disputa, a veiculação de propagandas em horário de programação infantil e/ou direcionadas às crianças e argumentos de ambos os lados, claro. E como numa batalha o que não falta são especulações e notícias sobre o lado inimigo, nessa ‘peleja’ (como diriam as vovós) não é diferente.

Com um ‘sensor aranha’, uma postagem com mais 2 mil compartilhamentos anuncia o fim da circulação de HQs. Acompanhada de uma montagem apelativa que mostra a presidente da República como o mal supremo, a legenda indica um link que leva para um texto sobre a recente proibição da publicidade infantil. Confira:

‘GOVERNO BRASILEIRO LANÇA LEI QUE INVIABILIZA PUBLICAÇÕES DE QUADRINHOS NO PAÍS.

E não é zoeira…
E não vai pegar só para os nacionais não….
Se você acha que já estava difícil para publicar quadrinhos no Brasil, o governo resolveu inviabilizar de vez a produção, não apenas nacional, mas também de HQs reimpressas por aqui.

Entenda no link e divulgue mais esse absurdo.

Verdadeiro tema de discussão, a polêmica está na aprovação da Resolução 163 que ‘considera abusiva toda publicidade destinada às crianças’. Aprovada por unanimidade pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) em 13 de março de 2014, a resolução define que‘a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço é abusiva e, portanto ilegal’.

Agora, as explicações pertinentes. Segundo a postagem, uma lei do Governo Federal interferirá nas publicações de quadrinhos no país. Boato. O primeiro ponto: a Resolução 163 institui a ilegalidade de certas ações da indústria publicitária, mas não é uma lei.

Também não foi definida pelo Poder Executivo, já que a Conanda é um órgão vinculado a Secretaria de Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, porém é formado por organizações e representantes da sociedade civil cujo trabalho é voltado para crianças e adolescentes.

A Resolução estabelece a proibição de técnicas específicas usadas no intuito de persuadir a criança ao consumo. Assim, ficam proibidos efeitos especiais, cores chamativas, linguagem infantil e diversos métodos utilizados pela indústria publicitária. Também se pauta no Código de Defesa do Consumidor criado em 1990, que no art. 37 já definia como abusiva publicidade que ‘se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança’.

No entanto, disposições nesse sentido e outras bem mais severas já são aplicadas há anos em outros países como Suécia, Dinamarca e até mesmo nos Estados Unidos (considerado a nação mais consumista do mundo). Agora, me fala: em algum desses países os quadrinhos foram extintos?

O que, de certa forma, aconteceu, é uma pressão pelo lado dos anunciantes. Até porque o mercado infantil rende cerca de R$50 bilhões ao ano, no Brasil. Há, sim, ter que se repensar em novas formas de financiamento. Isso já existe com o crowdfunding. Ou seja, os quadrinhos não morrerão.

Na batalha entre os gigantes da publicidade e os membros da ligada Conanda sobre o destino da publicidade infantil, cabe a cada um escolher de que lado está. Mas, que a decisão seja pautada em argumentos e explicações decentes sobre o tema que é sério e requer reflexão. E não num boato, numa informação mal contada que só confunde mais um assunto que já é complexo por si só. E, nesse caso, tratamos de um boato.

 

4 thoughts on “Balela: governo vai proibir histórias em quadrinhos no Brasil

  1. Ricardo Henrique

    Se é balela, por que o DEPUTADO FEDERAL LUIZ CARLOS HAULY enviou uma nota esclarecendo que não foi o criador dessa norma em vigor, já que a PL 5921 não foi aprovada no congresso, e que ele procurava debater com os empresários do ramo de entretenimento, e que essa do CONANDA é abusiva e não houve NENHUM tipo de debate

    Aqui está um link do print da nota

    https://www.facebook.com/JouVentania/photos/a.278798598844555.66871.177554178968998/735144339876643/?type=1&theater

    E se quiser entra em contato com ele ou com o Conanda em vez de ficar com suas teorias de “sábio da internet”

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  2. Contestador

    Fonseca, o texto questiona o boato, não se a ação do governo é válida. Pela sua posição, não deveria haver proibição de propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas nos canais infantis, pois isto é uma ação autoritária segundo o seu ponto de vista.
    O grande erro dos extremistas (de ambos os lados) é aceitar que mentiras sejam ditas para defender o seu ponto de vista.
    Se pra defender sua posição você depende de boato talvez isto seja porque sua posição não seja a mais correta, não acha?

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  3. Lalia

    Concordo com a iniciativa. A publicidade direcionada às crianças tem que ser muito bem controlada pelo Estado para coibir abusos (ilusões, excesso de consumo, etc.), que é o único com poderes para isso.

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  4. Fonseca

    Então vamos ser sérios e tratar o assunto indo direto ao ponto com explicações decentes: As crianças têm pais. Por que precisam de uma resolução para dizer o que devem ver? Esse enrololô aí não tira o fato de que é uma iniciativa AUTORITÁRIA. O governo não iria proibir diretamente os quadrinhos, qualquer criança sabe, isso se daria por consequências LÓGICAS das medidas. Esses países citados aí estão há anos luz em termos de liberdade de mercado, liberdade de expressão, e liberdade de imprensa. Até parece que essas medidas inviabilizando anúncios servem para ajudar as crianças. Não senhor autor(a) do texto! Servem para dois fins: 1. enfraquecer o domínio dos pais sobre a educação dos filhos; 2. diminuir cada vez mais o espaço para publicidade privada nos meios, sobrando apenas para as… estatais. Por que será né? Por que será o governo deseja que os meios fiquem dependentes de anúncios estatais? Se duvidam do que aqui vai escrito, vão para a História, principalmente daqueles países que tiveram algum governo socialista. “Há, sim, ter que se repensar em novas formas de financiamento. Isso já existe com o crowdfunding”. Por que só o público deve financiar a produção artística? Qual o problema do anúncio privado? Sugerir que se “repense em novas formas de financiamento” significa ” o empresário não deve financiar HQs, o público sim”. Acha justo? Há um termo específico pra designar isso, deixa eu ver se me lembro… ah! medida autoritária. Se acreditam no mito da maldade do empresariado, saiam do século 19! Se foi apenas mal colocado, repensem no que vai aí. Eu hein, coisa feia ficar blindandinho os poderosos… Sim, precisamos dar explicações decentes. Precisamos alertar as pessoas para os verdadeiros fins dos projetos governamentais. Mas não dá pra ficar só em cima dos argumentos do governo, porque os partidos que estão lá, não criam leis, resoluções, decretos, e medidas para ajudar-nos. Não! São partidos ideologizados: sempre há algo oculto por trás do que dizem. As “farsas, mentiras, e falcatruas” nem sempre são visíveis a olho nu! Cuidado! Jornalismo que se preze vigia, não blinda.

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