História falsa: criança acorda no caixão e pede água durante velório

Criança acorda no caixão e pede água durante velório, diz história falsa
Criança acorda no caixão e pede água durante velório, diz história falsa

Boato – Após seu falecimento, garoto de dois anos choca o povo de Cotijuba no Pará, ao levantar durante o próprio velório e pedir água.

Todo mundo já ouviu alguma história daquelas impressionantes que deixa até fio de cabelo da nuca em pé. O acidente terrível em que a pessoa escapou sem nenhum arranhão. O homem desaparecido por décadas que um dia é encontrado sem memória na rua de casa. Ou o diagnóstico equivocado do Instituto Médico Legal (IML) que declara a morte de uma pessoa quando ela ainda está viva.

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Essa última arrepia mesmo. Ainda mais quando envolve uma criança de apenas dois anos que levanta durante o próprio velório pedindo água. Essa é a nova história que circula pela internet. A foto do menino dentro do caixão postada em uma página do Facebook rendeu mais de 11.900 curtidas e dois mil compartilhamentos.

Junto da foto a legenda ‘CRIANÇA ACORDA NO CAIXÃO E PEDE ÁGUA NO PRÓPRIO VELÓRIO’. Além disso, o link de uma notícia que conta como a história toda aconteceu. Confira o texto:

‘Essa história é uma das mais macabras e absurdas existentes até hoje, quem dera fosse uma mentira, mas não é!! O fato é que, uma criança acordou e pediu água ao seu pai, atitude normal caso ela não estivesse sentada em um caixão e em seu próprio velório! Isso aconteceu em Belém o menino Kelvys Simão dos Santos havia morrido pela primeira vez mas a morte foi um engano terrível do hospital e o menino foi dado como morto e enviado à família para ser velado.

Segundo informações dos parentes algumas pessoas já haviam notado que a criança estava se mexendo, mas pensaram que fosse uma impressão, até que o menino sentou-se no caixão e pediu água ao seu pai. As pessoas saíram correndo do local dizendo que aquilo seria um milagre, seus pais desesperados levaram a criança ao hospital mas a criança chegou novamente morta.

No momento a polícia investiga de quem foi o erro da primeira morte equivocada, em que mandaram a criança para ser enterrada ainda com vida. Tudo começou quando a menino foi internado com febre alta e com falta de ar, a noite veio a noticia de que ele havia falecido por morte de insuficiência respiratória, broncopneumonia e desidratação. 

Quando foi feito o primeiro relatório de que o menino havia morrido, ele foi preparado como defunto, teve todas suas cavidades tamponadas com algodão e colocado em lençol de cadáver, uma espécie de saco plástico lacrado, somente depois foi levado para à funerária. Há uma hipótese para isso ter acontecido, acreditam-se que o remédio que deram para a criança no hospital só fez efeito depois dele ter sido declarado morto[…]

A morte do garoto é real, mas a história de que ele levantou durante o próprio velório é só isso mesmo, história, e antiga. Kelvys Simão dos Santos faleceu em 1º de junho de 2012 em Icoaraci no Pará e não agora como dá a entender a postagem de 14 de novembro. A causa da morte do garoto foi insuficiência respiratória conforme laudo médico e o susto durante o velório foi real, porém não porque o garoto levantou e pediu água.

O inquérito da Polícia Civil que investigou as causas da morte da criança ouviu testemunhas, exumou o corpo do menino e concluiu que o ocorrido foi má interpretação de sinais. Os presentes no velório compreenderam errado possíveis manifestações corporais pós-morte do garoto.

Além da exumação do corpo, alguns depoimentos foram a chave para a resolução do caso. Conforme o avô de Kelvys quando o menino foi pego no colo pelo pai havia manchas escuras nas costas da criança, causadas pela ação da gravidade sobre as células de sangue no corpo após a morte.

Além disso, o tempo que o garoto passou dentro do saco cadavérico que o transportou do local da morte para a local do velório inviabilizava qualquer possibilidade de vida. Foram quatro horas em um saco lacrado.

Enfim, balela. A história aconteceu há mais de dois anos e nesse caso o que devia arrepiar os pelos da nuca é a falta de noção e de atenção de quem espalha um boato do tipo, e mais, fora de época.

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