Golfinho morre por causa de selfie de turistas na Argentina #boato

By | 18/02/2016

Boato – Um golfinho foi retirado do mar para que turistas tirassem selfies e morreu por causa disso. Caso aconteceu na Argentina. 

Desde o dia 14 de fevereiro, diversos sites de notícias têm publicado uma história bizarra. Um golfinho teria morrido na praia de Santa Teresita (Argentina) após ser retirado do mar para que selfies de turistas fossem feitas.

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Golfinho foi retirado da água para morrer?

Golfinho foi retirado da água para morrer?

A história começou a circular em sites argentinos, teve como fonte imagens postadas por um turista chamado Hernan Coria e ganhou força após ser publicada pela ONG Argentina Vida Silvestre.  Depois, foi publicada em tabloides britânicos e chegou ao Brasil em portais de notícias. Leia uma das versões da história:

Golfinho morre em praia argentina e turistas se juntam para tirar selfies; Após toda a “festa” com o animal, ele foi abandonado na areia. Uma foto que circula pelas redes sociais mostra uma cena chocante que ocorreu na praia de Santa Teresita, na Argentina. Um multidão está em volta de um homem que segura um filhote de golfinho morto. Segundo o jornal Daily Mail, o mamífero, que era carregado como se fosse um troféu, foi encontrado desidratado próximo ao litoral.

Dezenas de pessoas, então, se aglomeraram para tocar o animal e tirar fotos com ele. Após toda a “festa” com o golfinho, ele foi abandonado na areia. O caso foi denunciado pela Fundação da Vida Selvagem da Argenitna. Em um comunicado, eles disseram que essa espécie pode viver até 20 anos, mas é muito vulnerável. “A espécie Franciscana, como outras, não podem ficar muito tempo embaixo d’água. A pele dela contém uma camada grossa de gordura que retém o calor. Dessa forma, tirá-la da água pode causar uma rápida desidratação”, informou o órgão.

A história é realmente um tanto quanto confusa, mas pelo que apuramos nas nossas investigações, a mídia deu uma “bela” exagerada no caso. Vamos aos fatos.

O primeiro deles é relacionado às imagens. Infelizmente, elas são de um caso que aconteceu na Argentina, na praia de Santa Teresita, no dia 10 de fevereiro. Pedimos a ajuda de nossos leitores para saber se a história realmente aconteceu desta forma.

A dúvida ficou em relação a dois pontos:

  • O golfinho estava morto quando foi para a areia?

Neste sentido, o leitor Marcelo Brandão chamou atenção para algo importante: “No video, ele nào se mexe ainda dentro dágua. Já estava morto. No audio, a primeira pessoa que pega ele diz: “Todavia, és muerto””. 

  • A intenção era tirar selfie?

O leitor José Carlos Júnior aponta para a intenção: “Dá pra perceber no vídeo que os turistas ainda pensam que estava vivo e tentam salvá-lo. Mais um boato que até a TV engoliu”.

Sobre a questão de tirar um animal do mar para selfie. É claro que se trata de um baita sensacionalismo. Pesquisamos e vimos que a história nasceu no site Infozona. Sem uma única fonte, eles contaram uma “grande narrativa” que incluía tirar o animal do mar, tirar selfie e ele morrer. Porém, o vídeo acima denuncia duas coisas: 1) Se o animal estivesse vivo (ou bem), teria se debatido ao ser pego pela pessoa. 2) Ninguém tirou para selfies. A intenção era tentar salvá-lo, claro. O único detalhe é que as pessoas estavam despreparadas para isso.

Para ajudar, temos um relato de Hernan à rede de notícias Telefé (da Argentina). Ele diz que o golfinho já estava morto quando foi retirado da água. Em um dos primeiros comentários nas fotos que postou no Face, ele já havia falado isso. Mas adivinha se alguém leu?

Para terminar, há uma fala oficial da ONG Mundo Marinho, que foi chamada para o atendimento, mas que chegou após as imagens já tivessem sido feitas. Mais do que isso, a ONG disse que, por ano, morrem 500 a 800 golfinhos. Leia (com tradução automática):

O que aconteceu nas imagens que estão circulando em redes sociais aconteceu antes de nossa equipe de resgate chegar ao local. Infelizmente, ninguém deu a advertência oportuna, e com tráfego de auto-temporada na rota, os fatos já havia sido consumados. Quando os socorristas chegaram, o golfinho franciscano não estava no local. De acordo com informações das pessoas que estavam lá, um grupo de pessoas tinha jogado no mar.

Há anos, a Fundação World Marine trabalha para preservar esta espécie, que está em perigo de extinção: Estudos recentes estimam que em todo o sudoeste do Atlântico cerca de 2000 franciscanos morrem anualmente em redes de pesca, com valores máximos de 3000 cópias. Na Argentina, a mortalidade é estimada entre 500 a 800 golfinhos por ano. O mais alarmante é que com a manutenção desses valores, de acordo com estudos de viabilidade populacional, alguns grupos pode entrar em colapso em 30 anos. 

Sobre este golfinho franciscano, não sabemos se ele estava vivo ou não. No entanto, nestes casos, a coisa mais importante a fazer é chamar instituições e profissionais competentes, como a Fundação Mundial do Mar, para assistir adequadamente às pessoas de origem animal. Enquanto espera os profissionais, se o animal estiver vivo, ele deve manter próximo a 1 ou 2 pessoas para que não se estresse.

Tenha em mente que os animais que estão presos, a maioria tem algum tipo de doença. Por isso, entrar em contato com eles representa um risco para a saúde. Não é aconselhável fazer isso se não for uma pessoa que treinada para isso.

Também tenha em mente que a espécie está sendo ameaçada, mesmo quando mortos, eles podem fornecer dados importantes para a preservação da espécie. A Fundação World Marine é apoiada por pessoas que visitam Sea World, onde uma mensagem de conservação é transmitida.

Olha o que temos (com base em relatos de testemunhas): o golfinho, chegou à praia morto (ou pelo menos sem sinal de vida), houve uma tentativa de salvamento (o homem tenta devolver o golfinho para água), uma multidão de populares se forma e o animal fica morto. Muito tempo depois, chega o socorro, mas o animal já havia sido devolvido ao mar. Por fim, um homem publica uma foto da multidão no Facebook. Um site sensacionalista inventa a tese do selfie, uma OnG compra a tese e a história ganha o mundo.

Resumindo: apesar de um claro despreparo das pessoas que encontraram o golfinho na Argentina, ninguém o tirou do mar para selfies. Até tentaram salvar, mas não conseguiram.

PS: Esse artigo foi uma sugestão dos leitores (e amiga) Luanda Lima e Marcelo Bá. Se você quiser sugerir um tema para o Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site ou pelo Facebook.

29 thoughts on “Golfinho morre por causa de selfie de turistas na Argentina #boato

  1. douglas

    Ah im todo mundo sorrindo e esticando a mao pra acariciar um golfinho morto!

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    1. Jandira

      Verdade. Se fosse uma tentativa de salvamento, as feições estariam tristes e não sorrindo.

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  2. Benevides Freitas

    Vejo pessoas questionando o fato de o golfinho estava morto.

    Ora, não nadava, não mexia, não respirava.

    Se estava vivo se fingia de morto muito bem.

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  3. Jade Feitosa

    Concordo com Gustav e agora fica ainda mais difícil de constatar as alegações feitas por este site, uma vez que o vídeo não está disponível para ser visualizado, portanto, fica uma matéria pela outra…

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  4. Renato

    Video da fonte está fora do ar. Daí fica inconsistente a informação. =/

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  5. Camila

    Olhem a boca dele creio que estava vivo e exausto

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  6. Isabel Santiago

    Muito estranho isso, o golfinho movimenta a cauda, como está morto? E o cara abaixar um pouquinho e colocar ele uns segundinhos na água rasa e tirar novamente nao é tentar salvar. Depois sair andando com ele pra fora da água não é tentar salvar mesmo!

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  7. Lucas

    Nossa, que rabão dessa mulher na prévia do vídeo. Taporra.

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  8. Ellen Augusta

    Um animal morto pode fornecer informações sobre a espécie em que situação? Com um monte de pessoas ao redor “tentando salvar”?
    É óbvio que se eles quisessem salvar alguém ali, no mínimo, deveriam jogar novamente ao mar. Tá na cara que as pessoas só fizeram isso para pegar o animal na mão como a grande maioria faz abertamente sem se importar. Como bióloga, o fato do animal já estar morto não é consolo algum. A única informação que ele está passando é que sua vida e a de outros animais está ameaçada por humanos. Como ativista pelos animais lamento a importância que está tentando se dar ao fato de que ele não estava vivo. Animais devem ser deixados em paz, se não for para salvá-Los. Só essas fotos já são uma vergonha pois denota o quanto o ser humano ve o animal como coisa bonitinha para comer ou para tocar/fotografar conforme o q lhe convém.

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  9. Lizeth Lisete Agnelli

    tá… então, quando encontrarem um bebê humano morto ou aparentemente morto, as pessoas em volta têm o direito natural de tirar fotos, sorrindo, com o bebê no colo, já que ele é tão bonitinho. Não é isso? Por que se importar com algo que está morto, não é mesmo? Dizer que tentavam ajudar… tenha dó. Que ajuda seria essa, tirando-o de seu habitat, esfregando as mãos nele, colocando-o na areia… ? Realmente, pelas caras satisfeitas das pessoas no vídeo, dá para ver o quanto elas estavam “preocupadas” com o golfinho.

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  10. Thiago Ollivier

    O problema é sempre esse. As pessoas adoram esse tipo de história, pra postar em suas redes e comentários de revolta, pra optarem de bom samaritanos. Toda vez que vejo algo parecido, eu já tenho uma certeza pessoal que é farsa ou não como estão dizendo. O animal tá claro que tá morto, se n está, está praticamente. Aí só um especialista PR afirmar, escutar os batimentos, mas a questão é, n se vê em nenhum momento as pessoas tentando tirar selfies, ele deveria estar boiando morto ou quase morto e oegaran-no pra tentar fazer algo. Reanimá-lo, sei lá. Mas eu tenho certeza q já estava morto. Problema é esse, as pessoas querem que seja verdade. Querem falar mal do seres humanos, aquele papo de “ser humano desgtacado”, mas nunca mostram as coisas boas que ele faz. Enfim, por mais que o ser humano tenha seu lado ruim, ainda assim pensar que pegaram um golfinho vivo, tiraram da água pra tirar selfies, é muita doença, ninguém em sã consciência seria capaz disso, fala sério, se coloquem na vida real e parem de fantasiar.

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  11. Vicki Araujo

    Bola fora, hein? Tão mal escrita e com “fatos” tão mal explicados, que a credibilidade desse site ficou bastante arranhada.

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  12. [email protected]

    Claro que essa materia eh incosistente, são apenas mais pessoas se aproveitando do coitado do golfinho. E como falaram, vivo ou nao, nao justifica o que fizeram.

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  13. Diogo

    A foto no início diz por si só. Todo mundo sorrindo e tocando o golfinho. Mesmo se o animal já estivesse morto, aonde está o respeito pelos animais? O mundo, definivamente, está mais do que perdido…

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  14. Vinicius Porto

    O que eu acho mais curioso,é que as pessoas preferem acreditar mesmo que REALMENTE aquela galera toda tirou o golfinho da água para tirar um selfie (???) do que acreditar que eles estavam tentando ajudar… sério, quanta pobreza de espirito e falta de raciocinio rsrsrsrs…..

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  15. Marco Leotti

    O vídeo não prova a ordem cronológica dos fatos, ele poderia ter sido colocado de volta ao mar por ter ficado muito tempo em terra, o que não prova se foi retirado da água já morto.

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  16. vera lúcia didoni valenzola

    Na minha opinião o golfinho estava cansado, deveriam ter pedido ajuda para salva-lo, muito triste se divertir com a vida, acabaram de matar

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  17. SIdnei B.

    A mesma lógica se aplica ao contrário se você não percebeu. Porque a ideia de que o golfinho foi retirado vivo para tirar selfies TAMBÉM VEM DE TESTEMUNHOS. A grande quantidade de jornais publicando não confirmam automaticamente testemunhos.

    Não é a primeira vez que o profissionalismo jornalista comete erros assim, porque é extremamente comum jornalistas copiarem notícias de outros sites sem verificar as fontes. Então temos que é mais fácil que os jornais tenham publicado boato, de novo.

    E água não é remédio. Se o golfinho está na água mas se debatendo na areia, é de se imaginar que ele esteja tendo problemas. O problema foi o despreparo, não maldade das pessoas.

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  18. Marly Araujo

    A avidez e insensibilidade das pessoas não é boato.

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  19. Marcio

    Pra um tentando salvar, tem cinquenta curiosos tentando se aproveitar da cena e eternizar nas suas selfies ridículas. São culpados sim, por não respeitar o momento do animal como um bando de urubús em cima. Haja o que houver, somos indignos!

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  20. irmaodeoutramae (@irmaodeoutramae)

    O instinto de sobrevivência está presente em todos os animais… você acha que o bicho ficaria simplesmente parado se estivesse sendo tirado da água sem se mover? O movimento que você viu se deu quando ele estava dentro da água, justamente por conta do movimento do mar. Não era um movimento do animal. Os tablóides sensacionalistas não contam, mas vários golfinhos morreram nesse dia… a água do mar estava mais quente que o usual e também cheia de águas-vivas. Esse tipo de coisa está sempre sendo passada pra virem os hipócritas e moralistas com aquele ego inflado esbanjando superioridade moral, querendo controlar os outros… como se os humanos fossem intrinsicamente ruins, mal intencionados e não tivessem consideração por nada. Faz bem ao ego criticar os outros… os outros são sempre burros, imbecis e nós somos sempre evoluídos, superiores etc. A verdade é que a mídia é uma M****!!!

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  21. Marco Aurélio Andrade Lima

    Reportagem inconsistente! Não convenceu! Boatos.org gerando boatos?

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  22. Marcelo Beledeli

    Vocês podiam passar essa informação também pro Snopes.com, já que é uma informação que tomou vulto global.

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  23. Maria Candinha

    Que estranho esse ”boato”… ué, o golfinho já estava morto e as pessoas ainda queriam toca-lo e fazer fotos e selfies?? Walking selfies? Doentes! Vejam o video. Mas quem pode provar que estava morto? Ficar imóvel e alguém dizer ”muerto” não prova nada também! E são tão bons agora… queriam ajudar e como? Deixando ele fora dagua??Passando de mão em mão?? Tem que ser muito burro pra achar que assim salvaria, em vez de devolver logo pro mar! Vocês acreditam que eles queriam salvar… basta ver o rosto deles de fascinação. Vamos parar de colocar panos quentes… as pessoas pegaram um golfinho (moribundo, vivo ou não) e o usaram pra matar a curiosidade e fazer fotos, narcisicas, em vez de devolver pro mar!!! Sim, puro egoismo, não tentem defender essas pessoas estupidas! Precisa desenhar? E querem justificar a morte dizendo que muito outros golfinhos morrem ali também?Melhorem!

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  24. Camila Fresca

    Bacana a matéria, mas faltou uma tradução decente do texto da ONG Mundo Marinho. Foi Google Translator sem checagem. Não tem um editor na boatos.org pra controlar o que vai ao ar?

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  25. Priscila

    Boa noite! Obrigada pela postagem, realmente foi muito esclarecedora, entretanto, existem muitos erros de grafia na postagem, poderiam rever isso.
    Outra sugestão é deixar os links de fonte no final da pesquisa, mesmo estes já tendo sido disponibilizados na reportagem em frases.

    Obrigada novamente, gostei do conteúdo.

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  26. Gustav

    Primeira coisa que eu queria falar, é que toda a defesa de que o golfinho já estava morto vem de testemunhos, então é tão válida quanto a hipótese de ele já estar morto.
    Em uma parte do texto, o autor fala que o animal devia ter se debatido. Não consta na descrição que ele é um biólogo especialista em vida marinha, que sabe como se comportaria essa espécie de golfinho específica, ainda mais sendo um filhote que estava debilitado (por doença ou exaustão) visto que foi parar na praia. Em alguns vídeos se tem a impressão de que ele mexe um pouco o rabo. De qualquer forma, não é porque o animal parou de se mexer que ele está morto ou mesmo próximo da morte. Já pensou se os médicos desistissem de tratar todos os pacientes que perdem a consciência? Talvez se houvessem mantido ele na água até a chegada dos especialistas o animal se recuperasse.
    Mesmo eu acreditando que a maior chance é de que estava morto ou morrendo, a atitude dessas pessoas é extremamente condenável visto que ainda havia uma chance de salvar o animal, mesmo que mínima.
    Não gostei da forma como o site afirma que o animal estava morto e que todos que noticiaram o contrário estão errados visto que se baseiam no mesmo que eles: testumunhos, sendo que todos os jornais e afins deixaram isso bem claro.

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