Major da PM que deu gravata em mulher de policial é morto no Rio #boato

Boato – Mataram o major que prendeu mulher na porta do batalhão. Fotos e vídeo provam que major Ramos foi assassinado.

Em meio à onda de protestos de mulheres de policiais no Rio de Janeiro, muita gente está com medo de uma eventual greve da PM que possa acontecer no estado. E alguns atritos dentro da própria corporação têm aparecido.

Major que deu gravata em mulher de policial é morto no Rio de Janeiro, diz boato
Major que deu gravata em mulher de policial é morto no Rio de Janeiro, diz boato

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Na última quinta-feira (16 de fevereiro de 2017), uma ação policial que caiu na internet foi considerada desproporcional por muitas pessoas. Nela, policiais prendem mulheres que tentavam bloquear a saída de um batalhão no bairro de São Cristóvão. Um homem identificado como “major Ramos” dá uma gravata em uma das mulheres.

Dias depois do incidente, começou a circular na internet que o “major Ramos” teria sido assassinado. A prova do crime seriam um vídeo que mostrava a ação das pessoas no momento do crime e fotos dele morto (que não vamos publicar aqui). Leia o texto que circula online (principalmente por WhatsApp):

Mataram o major que prendeu mulher na porta do batalhão         

RJ – mataram o capitão dá PMERJ que agrediu as mulheres que estavam na porta dos batalhões e agora estão caçando o major dá PMERJ.

Major q deu gravata em mulher de PM

O Maj PM Ramos, do 7° BPM de São Gonçalo, retirou a força algumas mulheres de PMs q fechavam a frente do quartel, visivelmente alterado e agindo extrema agressividade,  arrastou três mulheres. Porém tudo foi filmado e esses vídeos vídeos chegaram até a tropa, aí mano, o bicho pegou, caçaram esse major e o cap q o apoiou e ambos acabaram mortos…

Major da PM que deu gravata em mulher de policial foi morto no Rio?

Como vocês puderam ver, também foi citado um capitão que teria “atropelado mulheres” a frente em um batalhão. Mas a pergunta que fica é será que teve essa matança que estão falando? A resposta é não. Vamos aos fatos.

O primeiro ponto a analisar é o próprio caráter da informação. Ela é um tanto vaga: não fala onde aconteceu, quem matou, quando foi e outros detalhes que nos ajudariam a entender melhor a história. Informações vagas são típicas de boatos.

O segundo ponto está na falta de notícias sobre os tais assassinatos. Em uma mídia “atenta” aos desdobramentos do que acontece no Rio (um exemplo é o próprio vídeo da gravata), é claro que a morte de um major e de um capitão não iam passar sem ser noticiada. Ainda mais se suspeitos fossem colegas de corporação.

Para terminar, descobrimos que o vídeo que seria a “prova do crime” sequer é do Brasil. Depois de muito pesquisarmos descobrimos que se trata de um homicídio ocorrido na cidade de San Pedro Sula, em Honduras. Atenção! As imagens do vídeo são fortes:

Sobre a outra foto (do homem morto), não achamos registros. Mas só pelo desenrolar da coisa já dá para ver que se trata de uma balela.

Resumindo: a informação que mataram o major que deu uma gravata na mulher de um PM no Rio de Janeiro é falsa, assim como a informação que o capitão que teria atropelado mulheres.

Em tempo: não cabe ao nosso site fazer juízo de valor sobre a ação do major, mas é importante informar que após a viralização do vídeo da prisão das mulheres de policiais, a PM do Rio de Janeiro divulgou a seguinte nota. O comando aponta que foram usados “meios necessários” para deter a manifestante e que vai apurar o caso:

Em nota, o comando do 7º BPM explicou que houve uma tentativa de diálogo para contornar a situação na porta do batalhão, mas devido a resistência do grupo que teria ofendido os policiais, três pessoas foram conduzidas para a delegacia. Sobre as agressões, o texto disse ainda que durante a condução uma manifestante tentou sair da viatura e foram usados meios necessários para detê-la. Por fim, o comando informou que está apurando as circunstâncias do fato.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de diversos leitores via WhatsApp. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook ou WhatsApp no telefone (61) 99331-6821.

Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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