Verdades e mentiras sobre a fraude nas urnas eletrônicas

By | 04/10/2014
Urna eletrônica pode ser fraudada, diz boato

Urna eletrônica pode ser fraudada, diz boato

Em todas as eleições, uma pergunta é levantada: será que as urnas eletrônicas são confiáveis? Há quem diga que não. Por outro lado, nenhum caso de fraude foi comprovado até o momento.

As eleições de 2014 estão aí. E se engana quem pensa que brasileiro só fica ansioso em época de Copa do Mundo, porque os nervos estiveram à flor da pele durante toda a corrida eleitoral e agora, já tem gente à beira de um colapso.

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Com ou sem nervosismo, eleição também é tempo propício para rumores, histórias, boatos, dúvidas, intrigas e segue a lista. Agora, tão próximos da votação, brilha feito árvore de natal as notícias sobre a inseguridade das urnas eletrônicas, o método de votação que o Governo garantiu tantas vezes ser inviolável.

Não foram poucas vezes que leitores do Boatos.org nos perguntaram até que ponto a história de que as urnas eletrônicas podem ser invadidas, manipuladas e fraudadas é verdadeira. Infelizmente, nunca podemos cravar com 100% de certeza se as urnas são seguras. Mas com tanta desconfiança, se faz necessária uma análise sobre o assunto.

Por que a urnas não seriam confiáveis

Vamos começar com quem diz que as urnas são fraudáveis. Para quem não sabe, as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas no Brasil nas eleições de 1996. E desde de sua implementação, foi alvo de críticas. Em 2000, O falecido político Leonel Brizola levantou a possibilidade de manipulação nas urnas. À época, ele reclamava que não havia possibilidade de recontagem de votos.

Os anos se passaram e o assunto continua em alta, altíssima na verdade. É só digitar ‘fraude das urnas eletrônicas’ que o Google pipoca várias páginas sobre o tema. Tem até site específico sobre o assunto.

Para esquentar ainda mais as coisas, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) constataram vulnerabilidade das urnas. Durante testes para comprovar a segurança do método, eles perceberam que é possível descobrir em quem os eleitores votaram. Um ‘tapa na cara’ da Constituição que garante o voto secreto. As incertezas sobre a utilização das urnas até colocou novamente em debate o retorno ao voto impresso.

Neste ano, o PDT (vale lembrar que era o partido de Brizola) afirmou que encontrou três vulnerabilidades nas urnas eletrônicas. O mesmo partido promoveu um seminário em 2012 em que um hacker diz que teria invadido a urna no Rio de Janeiro.

Simplificando as explicações, a primeira acusação é de que as urnas eletrônicas poderiam ter as chaves de criptografia quebradas (as senhas de segurança) porque elas são baseadas em um cálculo que envolve a data e hora de criação. Isso poderia fazer com que alguém conseguisse ter acesso a chave e mudar os dados. Detalhe, a pessoa teria que ter acesso à urna.

A segunda fraude possível seria pelo fato de funcionários do TSE terem acesso a dados confidenciais. Já a terceira fraude seria possível porque o computador que cria as mídias para as urnas eletrônicas tem conexão com a internet. Invasores que acessassem o computador poderiam manipular dados.

Para fomentar ainda mais o debate, o UOL fez uma matéria onde o TSE admite que é possível ser fraudada a urna eletrônica. Na reportagem, um técnico reconhece que “é incorreto afirmar categoricamente que um sistema seja totalmente seguro” e “igualmente incorreto afirmar que ele seja totalmente inseguro”.

A reportagem ainda cita casos de suspeita de fraudes no Rio (o caso do hacker de 2012), em Caxias (Maranhão) e em Alagoas. Sobre os casos de fraudes, o TSE disse que até hoje julgou todos improcedentes.

Por que as urnas seriam confiáveis

Agora que já falamos sobre todas as acusações contra as urnas eletrônicas, vamos falar do outro lado: o que aponta que o sistema de urnas eletrônicas é o mais seguro possível. Como primeiro ponto a se discutir, vale a comparação entre a segurança entre os sistemas de voto eletrônico e o antigo, de papel.

Se você não é um especialista em segurança digital, deve ter apanhado para entender as teses que apontam que a urna eletrônica seria fraudável. Agora compare com o desafio de fraudar uma cédula das antigas. A única que você precisava era um “canetaço” para transformar um voto válido em nulo e transformar um voto branco em válido. O que seria menos complexo?

Vale lembrar que denúncias de fraudes ocorreram bem antes da chegada do voto eletrônico. E mais, elas eram muito mais frequentes. Até os EUA tiveram problemas com o voto em cédulas. Em 2000, há grandes suspeitas de que urnas que seriam decisivas para a eleição não foram contabilizadas. Suspeitas de fraudes também foram levantadas nas eleições de 1990 no Brasil.

Também vale lembrar que na mesma matéria citada no UOL acima, o funcionário foi sóbrio ao afirmar que seriam impossível não fraudar. Mas também ele explica que há barreiras que dificultam as fraudes.

Citando as possibilidades levantadas pelo PDT. Uma delas (a segunda) exige que a pessoa que quer fraudar a urna tenha acesso à ela antes das eleições. As outras hipóteses apontam para invasão de computadores do TSE. Você deve imaginar que não é fácil. Em entrevista, o presidente do TSE, Dias Toffoli, afirmou que o sistema do TSE é alvo de hackers. Mas eles são neutralizados.

Também a favor do TSE está o fato de nenhum caso de fraude eleitoral ter sido confirmado. Até mesmo o caso do hacker de 2012 (que não citou nomes, o que causa estranheza), é investigado pela Polícia Federal, mas não chegou a lugar algum. Claro que teóricos da conspiração podem falar que também há compra de autoridades policiais.

Conclusões da história

Realmente, é difícil falar que não há chances das urnas eletrônicas serem fraudadas se até o próprio TSE levantou a hipótese. Assim como é quase impossível alguém invadir o computador de Barack Obama. Com isso, quero dizer que há, sim, possibilidade de fraudes. Mas do outro lado há pessoas brigando para que isso não aconteça.

Também é possível afirmar que nunca houve manipulação comprovada de fraudes em urnas eletrônicas. E se nada foi provado até hoje, as urnas merecem um crédito. Pelo menos até agora. Respondendo objetivamente: é possível fraude, mas é quase impossível. Talvez alguém já tenha fraudado as urnas. Porém, nada foi comprovado. Cabe ao sistema eletrônico a presunção da inocência e o veredicto de que é mais seguro do que o sistema manual.

*colaborou Hellen Bizerra

14 thoughts on “Verdades e mentiras sobre a fraude nas urnas eletrônicas

  1. Marcelo Bastos

    Quem quer fraudar (corrupto), o faz de qualquer forma. Com urna eletronica, com cédula…
    Só o que me deixa intrigado, que os EUA, com toda sua tecnologia e avanço ainda utilizam cédulas de papel. Será que nós estamos tão avançados que utilizamos tal tecnologia eleitoral ou será que o processo é mais sucetivel a fraude e por isso apoiado por quem está no poder?!?!
    Deixo aqui minha pergunta e o meu receio.

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  2. Silvio Soares

    Seja em rede privada ou pública, sendo “eletrônico” nada é 100% seguro.
    Só não enxergam isso os ignorantes, os mal informados ou os que têm
    interesses escusos nessas eleições, que é o tema em pauta.

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  3. Silvio

    Não ocorreram eleições em 1990, como diz o texto. As eleições para presidente da república ( a primeira depois do golpe de1964) ocorreram em 1989.

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    1. Isac

      1989 – somente para presidenciáveis
      1990 – eleições gerais

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    1. Marcilio Cavalcanti

      Outro ponto importante que não foi citado, é que mesmo que consigam invadir e manipular o resultado no computador do TSE, a fraude será detectada rapidamente, pois antes dos dados terem acesso a internet, um boletim de urna(BU) é emitido dentro da seção, e todos este resultados terão que ser iguais! Lembrando que o resultado mais confiável e válido é o do BU!

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  4. Chico

    Apesar de boa intenção, infelizmente o autor do texto está um pouco equivocado na sua análise.

    Realmente, não há provas de grandes fraudes no TSE. Mas não conta em favor do TSE a independência: ele organiza e julga as eleições. Já vi uma palestra dos pesquisadores da UnB que ganharam o concurso do TSE. O tom crítico deles em respeito a todo processo do TSE é muito mais duro que o do autor do artigo.

    É notório para conhecedores de segurança digital que o TSE simplesmente ignora vários protocolos de segurança. Como, por exemplo, ter uma senha global para todas as urnas do Brasil para liberar a urna em casos de falsos negativos na identificação biométrica etc.

    Outro ponto negativo na urna brasileira é que ela não atende o princípio da Independência do Software em Sistemas Eleitorais (google). Já que a urna não emite nenhuma comprovação. A nossa urna eletrônica, apesar de realmente não ter nenhuma fraude comprovada ou sequer um indício de grandes fraudes (de pequenas fraudes, como a “fraude do mesário”, há vários indícios) infelizmente é uma das piores do mundo.

    Em vários países urnas eletrônicas que não atendam a esse principio são sumariamente proibidas. No Brasil, onde o TSE é o executor das eleições e juiz de si mesmo, elas são permitidas.

    Pesquisem pelo site votoseguro e pesquisem pela urna eletrônica argentina, que em minha opinião, é uma das mais seguras de todas. Ela atende melhor os requisitos de segurança que a nossa urna.

    Para quem tem interesse no assunto, recomendo que pesquise pelo 1º Fórum Nacional de Segurança em Urnas Eletrônicas que aconteceu no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP. O fórum foi todo gravado e está disponível no youtube.

    Até hoje, realmente, não houveram indícios de grandes fraudes nas urnas brasileiras. Mas se um dia houver, o prejuízo para a democracia do país com o descrédito do sistema eleitoral será irreversível.

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  5. Jefferson Higgins

    O evento das eleições em Guarulhos em 2004, com 79927 eleitores que não votaram, 79927 que votaram em branco ou nulo e outros 79927 que justificaram o voto mostram que As ELEIÇõES EM GUARULHOS FORAM FRAUDADAS. o TSE não comenta e também NÃO INVESTIGA. Pode comentar isto?

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  6. Fernanda

    Faltou dizer que as urnas eletrônicas NÃO TEM acesso à internet e por tanto seria muito difícil hackear-las.

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    1. Igor

      Qualquer equipamento eletrônico é hackeável independente de conectividade a internet.

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      1. Vágner Rondon

        Para isso você teria que ter acesso FÍSICO aos equipamentos.
        E ser “hackeável”, essa palavra nem existe, não significa que é fácil, muito pelo contrário. Só para acessar uma única urna levaria vários anos.

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        1. Geraldo Bohessef Bou Assaf

          Como esses caras invadem a NASA, CIA, invadiram de vários órgãos de segurança da China e Rússia ? Não existe palavra impossível para os hackers. E a urna é facilmente fraudada, não precisa nem de hacker, procure no Google, Teste das urnas eletrônicas feitas pelo TSE em Março de 2016. É muito mais fácil fraudar do que a gente pensa.

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      2. Rafael

        Perfeita a resposta, dizer que só porque não tem acesso a internet não pode ser hackeado é tosco..

        Um playstation 1 não precisou de acesso a internet para ser “desbloqueado”…

        Dizer que os hackers não conseguem invadir o site do TSE tá de Brincation with me…

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