Afinal, o que aconteceu na história de Dilma e o sacrifício do cão Nego?

By | 13/09/2016

Na última semana, uma das maiores polêmicas que girou em torno da ex-presidente Dilma Rousseff na internet foi relacionada ao destino de seu cão Nego. De um lado, as pessoas condenavam ela por ter abandonado o cão e, depois, de “assassinar” o animal. Por outro, defensores dela apontavam que, primeiro, ela havia levado o cachorro e, depois, que havia deixado com amigos.

Dilma mandou sacrificar Nego, o cão de estimação, diz boato

História do sacrifício de Nego, animal de Dilma, gerou polêmica na web

A história começou logo após a aprovação do impeachment quando a mídia começou a fazer matérias sobre o que Dilma levaria para Porto Alegre. Um dos itens que recebeu mais informações da mídia foram os animais de estimação. E aí começaram as contradições em relação ao que aconteceria com um deles: o labrador Nego, famoso por ter participado da campanha eleitoral de 2010 junto à então candidata Dilma.

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A Revista Época apontava que Dilma iria levar o cachorro, como é possível ver nesta matéria do dia 05/09/2016. Leia:

A ex-presidente Dilma Rousseff definiu o destino de seus dois cachorros de estimação. Nego, um labrador preto que lhe foi presenteado pelo petista José Dirceu, e Fafá, uma fêmea daschund encontrada perdida nas ruas de Brasília, seriam levados para o apartamento de dois quartos da ex-presidente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

A Folha de S.Paulo apontou que ela deixaria Nego em Brasília. Leia trecho da matéria, também do dia 05/09:

Contudo, ela foi recomendada por um veterinário a não submetê-lo a uma longa viagem. Com 14 anos, considerada uma idade avançada, Nego estava com a saúde frágil e tinha dificuldades para caminhar e se alimentar. A petista, contudo, não queria fazer como Dirceu e deixá-lo para seu sucessor. A solução encontrada foi entregá-lo a um dos assessores da ex-presidente que permaneceria em Brasília e demonstrou a intenção de cuidar do animal. Foi isso que a imprensa divulgou, no entanto, o Antagonista informou que a petista havia mandado sacrificar o animal.

O blog O Antagonista apontou que o cão seria sacrificado. Leia texto do dia 05/09:

A imprensa divulga que Dilma não vai levar para Porto Alegre o labrador Nego, herdado de Zé Dirceu em 2005. A versão é de que um assessor ficará cuidando do animal, que está com a saúde frágil. Mas O Antagonista foi informado de que a petista mandou sacrificá-lo.

Ok. Tínhamos três versões da história e inúmeros leitores pedindo um esclarecimento. Isso nos levou, na terça-feira (06), a entrar em contato com o único assessor que continuou cuidando das relações de imprensa de Dilma. Em uma ligação por volta do meio-dia e com cerca de cinco minutos, ele “esclareceu” a história.

Assim como colocamos no texto publicado no dia 06, a versão que parecia ser a correta era a da Folha de S.Paulo: a de que o cachorro ficaria com amigos e que não poderia viajar por estar com a saúde frágil. Neste momento, a assessoria errou. Não só na informação como também na “gestão de crise” em relação ao assunto.

Neste momento, permito-me dar uma opinião: como dono de um animal de estimação, eu não optaria pela eutanásia salvo a hipótese do animal causar problemas de saúde a outros animais ou pessoas (o que não era o caso de Nego). Porém, a escolha de “sacrificar um animal que estava sofrendo” não é inaceitável na sociedade atual. E aí não sabemos se a assessoria não sabia o que havia acontecido com Nego ou resolveu dar uma resposta evasiva achando que o assunto tão logo seria encerrado.

Com a “informação oficial”, a matéria foi publicada no Boatos.org e teve grande circulação (talvez nem a assessoria de Dilma imaginasse que o que eles falariam para o blog circulariam tanto). E o assunto começou a render.

O segundo estopim sobre o assunto se deu na quinta-feira (08). A coluna Painel, da Folha, contradisse a matéria anterior do jornal e apontou que o cão havia sido sacrificado. Leia:

Teve de partir O cachorro de Dilma Rousseff, herança do ex-ministro José Dirceu, não foi abandonado. “Nego” tinha problemas de saúde e já não conseguia andar. Precisou ser sacrificado na semana do impeachment.

No dia seguinte, o colunista Cláudio Humberto foi mais direto ao ataque a Dilma. Foi aí que as coisas começaram a sair do controle:

A pergunta não se calava em Brasília desde a partida da ex-presidente Dilma Rousseff para Porto Alegre: “Cadê ‘Nego’?” Era referência ao cão da raça labrador que ela ganhou do ex-ministro José Dirceu ao assumir a Casa Civil no governo Lula. Nesta sexta (9), a assessoria de Dilma confirmou: “Nego” foi morto (ou “sacrificado”), por opção da ex-presidente cassada, sob a alegação que estava “muito velho e doente”. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder. O clima dos funcionários do Palácio Alvorada é de consternação e revolta, com a morte de “Nego” com cinco injeções. Afeiçoados ao dócil labrador, funcionários do Alvorada afirmam que “Nego” tinha condições de sobrevida digna, até sua morte natural. Esperava-se no Alvorada que Dilma levasse “Nego” com ela para Porto Alegre, mas isso teria sido desaconselhado pelo veterinário. Ao ordenar o “sacrifício” de “Nego”, Dilma só fez piorar a sua imagem já muito negativa junto aos funcionários do Alvorada.

Logo que tivemos acesso à história e ao trecho que “a assessoria confirmou”, corremos ao telefone e tentamos falar com a assessoria da ex-presidente. Não foram poucas as vezes que o telefone só tocava e, na segunda tentativa, era desligado na “nossa cara”. Passamos o fim de semana sem poder apurar a versão de Cláudio Humberto (que por sinal, já deu algumas escorregadas em informações).

Quando até “defensores” de Dilma como o Diário do Centro do Mundo já estavam apontando que a história do sacrifício era falsa, a equipe da ex-presidente resolveu se mexer. Quando entramos em contato, mais uma vez, na segunda-feira (12), foi nos informado que uma nota estava pronta. Publicada no site de Dilma, ela dizia totalmente o contrário do que havia sido falado na semana passada. Leia:

A respeito das notas publicadas pela imprensa sobre a morte do cachorro Nego, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. Não procede a informação de que Dilma Rousseff tenha “abandonado” o labrador Nego, que ganhou de José Dirceu em 2005. Ao lado dos outros cães de estimação da ex-presidenta – todos adotados: os labradores Boni, Galego e Princesa, além da cadelinha Fafá –, Nego foi amado por Dilma e sua família desde que passou a viver com ela em Brasília, nos tempos em que era ministra-chefe da Casa Civil.

2. Animal de grande porte, com quase 1,70m, Nego tinha três anos de idade quando passou a viver com Dilma. Aos 14 anos, desde dezembro de 2015, vinha sofrendo. Além da idade avançada, foi diagnosticado pelo veterinário como portador de mielopatia degenerativa canina.

3. Sob cuidados e orientação do médico-veterinário, Dilma prolongou ao máximo que pode o conforto e as necessidades de Nego. Há dois meses, o médico recomendou que fosse abreviado o sofrimento do cão, um dos prediletos de Dilma. Relutante, ela adiou a decisão até pouco antes de deixar o Palácio da Alvorada, na semana passada, e mudar-se para Porto Alegre.

4. Dilma sempre teve amor por animais de estimação. Adotou Fafá quando percorria as ruas de Brasília em uma caminhada e encontrou a cadelinha abandonada no Lago Sul. A acolheu e passou a cuidar dela com amor, atenção e carinho. Fafá permanece com uma das tias da ex-presidenta, que a levou para Belo Horizonte, onde vai ficar até que Dilma a transfira para Porto Alegre, em novembro.

5. Já a labradora Princesa está com o ex-marido de Dilma, o advogado Carlos Araújo, em Porto Alegre. Quanto aos outros cães – os labradores Boni e Galego – Dilma optou por deixá-los com amigos que vivem em Brasília, porque não havia como levar os dois para morar no apartamento que tem em Porto Alegre.

Ou seja, tardiamente, a assessoria deu uma resposta sobre o assunto. A falta de clareza sobre o destino dos cães não só acarretou em ruídos de informação (como a do próprio Boatos.org, da Folha, da Época) como também foi combustível para comentários sobre a personalidade de Dilma. Se desde o começo a história estivesse clara, a imagem de “cruel e implacável” ou de “que odeia e usa animais” não ganharia tanta força.

Resumindo: Nego foi sacrificado e sentimos na pele a ineficiência (que assim como metade da mídia, errou) de Dilma na “batalha da comunicação”. Se isso aconteceu com um caso “simples” como esse, o que podemos dizer sobre a forma que ela se defende de outras acusações ditas “mais sérias”.

7 thoughts on “Afinal, o que aconteceu na história de Dilma e o sacrifício do cão Nego?

  1. Maria Pinheiro

    Simplesmente estou achando isso ridiculo imoral …e mais alguma coisa tanta coisa pra se preocupar nesse Brasil de meu Deus e cria-se uma polemica sobre a vida de um cão,, gente vamos crescer procurem um assunto que dignifique alguem,,,que nojo,,sinceramente falta palavras pra expressar um nojera dessa,,,,é mais que vergonhoso,, vamos cuidar das crianças que estão passando fome a falta de um trabalho para os pais…………….vergonhaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  2. Henrique

    Site perdeu toda credibilidade.
    Um site de esclarecimento de boatos com viés ideológico é completamente desprezível

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  3. Roberto Pires

    Em primeiro lugar, esta notícia (que já está virando masturbação, vai e volta, sem parar!) não tem qualquer relevância.
    Segundo, é de admirar que vocês tenham a esperteza de questionar os envolvidos, notórios por mentirem o tempo todo, e esperar que obtenham a verdade!
    O site http://www.boatos,org, “especialista” em investigar boatos, acabou por divulgar boatos!
    Sem dúvida, sua credibilidade ficou abalada.

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  4. Luciano

    É Edgard… não tá fácil tentar salvar a imagem da ex-presidente… primeiro lança um ” boato ” de que a morte do animal seria um ” boato ” agora o cão tinha uma doença grave e que tornou-se terminal no momento em que sua tutora foi despejada… já está ficando feio ( assim vai acabar com a mesma credibilidade do sensacionalista) a única coisa que parece verdade nessa nota a imprensa é que ao se mudar para um apartamento o cão ( outrora garoto propaganda) se tornou um estorvo para a ex presidente demitida.

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  5. Clésio

    Como sempre mente pra depois desmentir. Como vamos saber se agora ela esta falando a verdade?

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  6. Débora Betânia De Toni

    Muito desrespeitoso o final desse artigo.
    Realmente você não deve saber – Edgard Matsuki – o que é um labrador doente. Minha irmã já teve, e quando ficam doentes, sofrem muito.
    E mais, os cachorros adotados por Dilma ou recebidos em forma de presente, só diz respeito a ela. Acaso essas pessoas que a estão condenando pelo ato, ou condenando a falta de esclarecimento, adotaram quantos animaizinhos, mesmo?…

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  7. Georges

    Claudio Humberto não vale. Era assessor de imprensa de Collor. Não tem credibilidade, a não ser em alguns círculos de Brasilia.

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