Fique ligado: a história mostra que boatos podem, sim, decidir uma eleição

By | 11/08/2014
Boatos eleitorais podem decidir o seu voto

Boatos eleitorais podem decidir o seu voto

Se você subestima os boatos da internet saiba que rumores sempre ajudaram na escolha do eleitor. Seja em pleitos para presidente ou representante de turma. Relembre casos.

Olá. Como vocês podem ver, esse é um artigo um pouco diferente dos outros escritos pelo Boatos.org. Desta vez, não vamos desvendar nenhum mistério. E como vocês vão perceber, este é o primeiro de uma série artigos opinativos que vamos colocar aqui no site. Os textos vão analisar algum boato, falar de situações criadas por eles ou dar dicas para não cair na boataria na web. Sem mais delongas, vamos falar do artigo de hoje.

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Faltam cerca de dois meses para as eleições e, daqui para frente, há uma grande tendência do debate eleitoral se acirrar. E, assim como a mídia está exaustivamente repetindo, esta será a eleições com maior participação das redes sociais na história dos pleitos.

Naturalmente e infelizmente, a boataria deve se acirrar pela internet até outubro (ou novembro) se tivermos segundo turno. Mas fica a dúvida no ar: será que a boataria realmente pode decidir uma eleição? Será possível eleger ou derrubar um presidente apenas com notícias falsas?

Em um cenário onde (desculpem se você é fã de algum político em especial) o menos ruim se sobressai, é natural que as pessoas criem critérios eliminatórios para escolher o seu candidato. Ou seja, o debate político está mais pautado nos aspectos negativos de um candidato do que nos positivos de outro.

Eu lhe pergunto, quantas vezes você votou em alguém para derrubar o adversário natural? Provavelmente, a resposta é mais de uma vez. E claro, a rejeição não veio apenas por você achar o candidato bonito ou feio. Vem de alguma informação que “estraga a imagem dele para você”. E é aí que a boataria entra arrasando candidatos.

Nas eleições deste ano, todos os candidatos já tiveram histórias mirabolantes publicadas na internet. Teve candidato com a filha milionária, candidato que é viciado em drogas, candidato que é filho de celebridade. E o que vimos até agora é só a ponta do iceberg. A história mostra que quanto mais próxima a data de uma eleição maior é a probabilidade de boatos aparecerem na web. Para tanto, vou contar três histórias para vocês:

Em 2010, foi apontado que a candidata Dilma iria legalizar o aborto no Brasil caso fosse eleita presidente (ou presidenta como ele gosta de ser chamada). À época, a história se tornou o centro do debate eleitoral. Dilma caiu nas pesquisas. Já na reta final da campanha apareceu uma denúncia de que a esposa do candidato José Serra já havia abortado. O “escândalo” ajudou na vitória de Dilma ainda no primeiro turno.

Em 2008, o município de Ponta Grossa (PR) vivia uma disputa eleitoral intensa no segundo turno. Um dos candidatos era o então prefeito, do PSDB. Na oposição, um candidato do PPS que era radialista na cidade. Na semana anterior às eleições, começou a circular a informação de que o opositor era gay. Em uma cidade com eleitorado conservador, esse foi o elemento decisivo para garantir a reeleição do tucano.

Em 2002, minha turma de escola estava escolhendo o seu representante de turma. Recém-chegado e representante de turma minha antiga escola, eu tinha vontade de chegar ao cargo. Eu tinha grandes chances de ganhar. Até alguém me “acusar de ser quieto demais”. Na época, não rebati a acusação e isso reforçou a ideia que eu era quieto (quem me conhece sabe que é mentira). Como era de se esperar, perdi a eleição para representante e (ainda bem) minha carreira política se encerrou por lá.

É caros. A história mostra que os boatos podem decidir diversos tipos de eleições. Desde a de representante de turma de escola (que não vale quase nada para quem ganha) até uma eleição presidencial. Por isso, fique de olho no que você lê. Não decida seu voto na primeira informação que você vê online e offline. E não subestime um boato de internet. #ficaadica.

4 thoughts on “Fique ligado: a história mostra que boatos podem, sim, decidir uma eleição

  1. Lucho

    Ainda mais em se tratando de um povo tão ignorante que é o usuário brasileiro do facebosta.

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  2. romu

    Algumas considerações. O colunista não esclarece as coisas. Primeiro: o boato em relação ao aborto foi mais do que o governo o toleraria ou teria uma postura mais humano mas de que o governo estimularia a prática. E mais, tal boato não surgiu ao acaso nas redes sociais mas do comando da campanha serrista. A própria imprensa flagrou a esposa do Serra ajudando a “espalhar” este boato em panfletagem do PSDB na baixada fluminense. Por outro lado, o contra-ataque não veio na forma de boato, mas por denúncia assumida publicamente de uma ex aluna universitária da sra. Verônica em que questionava o falso moralismo da campanha serrista sobre esta questão já que sua própria professora afirmara em sala de aula ter passado por isso. E, no mais, é absurdo achar que a questão do aborto teve papel relevante na peleja eleitoral (e, se teve, serviu foi para diminuir ainda mais a vantagem de Dilma). Segundo: o episódio da bolinha de papel foi algo que foi muito importante no resultado eleitoral. Não pelo boato, mas pelo seu desmascaramento nas redes sociais. A repercussão de que aquilo tudo não passava de um factoide foi tão forte que, Serra, que vinha em trajetória ascendente voltou a despencar nas pesquisas eleitorais. Por fim, os episódios mais significativos até hoje em termos de influência de boatos nos resultados eleitorais foi durante os embates eleitorais entre Lula e Collor: na época, agentes policiais oriundos da ditadura que ainda faziam parte da PF, em combinação com os meios de comunicação (tradicionalmente de direita) vestiram sequestradores comuns do empresário Abílio Diniz com camisetas da campanha de Lula e do PT para tentar criar um pseudo vínculo político. Outro evento, presenciado por mim, inclusive, foi a ação de funcionários contratados da campanha de Collor ficarem medindo com fita métrica casas de pessoas humildes nas periferias. Ao serem questionados porque faziam isso, respondiam que eram da campanha de Lula e que estavam avaliando quantas famílias petistas caberiam naquelas casas caso o Lula fosse eleito. E, por fim, a edição abjeta que a globo fez do último debate entre Lula e Collor em que, no JN, selecionaram os piores momentos de Lula e os melhores do Collor, como ficou provada a intencionalidade depois, com depoimentos posteriores de vários que faziam parte da equipe de jornalismo da globo na época.
    A diferença entre os antes e atualmente é que a disseminação cada vez maior das redes sociais, se por um lado, amplia a gama de boatos, por outro, aumenta as possibilidades de neutralização dos mesmos. Coisa que não acontecia antes quando ficávamos a mercê dos monopólios de comunicação, tradicionalmente alinhados com candidatos à direita e sem qualquer preocupação com isenção, a não ser em suas propagandas. Tenho muito mais exemplos, mas vamos deixar o debate aqui esquentar,..

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  3. romu

    O articulista mistura e não esclarece as coisas. Primeiro: o boato em relação ao aborto foi mais do que o governo o toleraria ou teria uma postura mais humano mas de que o governo estimularia a prática. E mais, tal boato não surgiu ao acaso nas redes sociais mas do comando da campanha serrista. A própria imprensa flagrou a esposa do Serra ajudando a “espalhar” este boato em panfletagem do PSDB na baixada fluminense. Por outro lado, o contra-ataque não veio na forma de boato, mas por denúncia assumida publicamente de uma ex aluna universitária da sra. Verônica em que questionava o falso moralismo da campanha serrista sobre esta questão já que sua própria professora afirmara em sala de aula ter passado por isso. E, no mais, é absurdo achar que a questão do aborto teve papel relevante na peleja eleitoral (e, se teve, serviu foi para diminuir ainda mais a vantagem de Dilma). Segundo: o episódio da bolinha de papel foi algo que foi muito importante no resultado eleitoral. Não pelo boato, mas pelo seu desmascaramento nas redes sociais. A repercussão de que aquilo tudo não passava de um factoide foi tão forte que, Serra, que vinha em trajetória ascendente voltou a despencar nas pesquisas eleitorais. Por fim, os episódios mais significativos até hoje em termos de influência de boatos nos resultados eleitorais foi durante os embates eleitorais entre Lula e Collor: na época, agentes policiais oriundos da ditadura que ainda faziam parte da PF, em combinação com os meios de comunicação (tradicionalmente de direita) vestiram sequestradores comuns do empresário Abílio Diniz com camisetas da campanha de Lula e do PT para tentar criar um pseudo vínculo político. Outro evento, presenciado por mim, inclusive, foi a ação de funcionários contratados da campanha de Collor ficarem medindo com fita métrica casas de pessoas humildes nas periferias. Ao serem questionados porque faziam isso, respondiam que eram da campanha de Lula e que estavam avaliando quantas famílias petistas caberiam naquelas casas caso o Lula fosse eleito. E, por fim, a edição abjeta que a globo fez do último debate entre Lula e Collor em que, no JN, selecionaram os piores momentos de Lula e os melhores do Collor, como ficou provada a intencionalidade depois, com depoimentos posteriores de vários que faziam parte da equipe de jornalismo da globo na época.
    A diferença entre os antes e atualmente é que a disseminação cada vez maior das redes sociais, se por um lado, amplia a gama de boatos, por outro, aumenta as possibilidades de neutralização dos mesmos. Coisa que não acontecia antes quando ficávamos a mercê dos monopólios de comunicação, tradicionalmente alinhados com candidatos à direita e sem qualquer preocupação com isenção, a não ser em suas propagandas. Tenho muito mais exemplos, mas vamos deixar o debate aqui esquentar, hehehe.

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