Compartilhe vídeo de mulher pisando em cachorro para que ela seja presa #boato

Boato – Vídeo de mulher pisando em cachorro aconteceu no Brasil e é recente. Compartilhe para que as autoridades a prendam imediatamente.

Um dos tipos de crimes que mais causam revolta em redes sociais são os maus-tratos aos animais. Não são raras as vezes nas quais nos deparamos com vídeos e imagens chocantes. O grande problema é que muitas vezes as imagens nem deveriam circular e são compartilhadas com o máximo de “boas intenções”. É o caso de hoje.

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Circula incessantemente na internet um vídeo que mostra uma mulher com botas de salto alto pretas batendo e pisando em cima de um cachorro que está amarrado. A viralização do vídeo se deve ao pedido de compartilhamento para que a mulher seja presa. Obviamente, o vídeo não será exibido aqui. Leia textos que circulam junto às imagens (um deles é uma petição ao Ministério Público):

Nao mais posemos aceitar isso. Em nome de todos os animais do mundo. Eu repudiuu este tipo de crime e espero que ela pague por isso. Compartilhe a semana toda até a policia pegar esta assacina.Ele nao pode viver em sociedade.deve ser enjaulada. Esta monstra tem que pagar pelo que está fazendo compartilhe ela tem que ser presa.

Ministério Público: encontrar e prender a mulher que fura o olho deste cachorro e a pessoa que filma a ação.

Vídeo de mulher pisando em cachorro foi no Brasil e em 2017? Vale a pensa compartilhar?

Apesar de não ter sido falado explicitamente, deu-se a entender que muita gente acreditou que o vídeo aconteceu no Brasil e é recente. Mais do que isso, as pessoas também acreditavam que a mulher estava foragida e que compartilhar o vídeo ajudaria, de fato, a encontrá-la. Pois bem, temos diversos erros nestas premissas. Vamos aos fatos.

Para começar, o vídeo não aconteceu no Brasil. A filmagem foi feita nas Filipinas e, por incrível que pareça, trata-se de uma produção de conteúdo de entretenimento adulto. Sim, o vídeo foi criado no intuito de que fosse vendido para o gênero “crush fetish”.

Vídeos em que mulheres aparecem torturando e matando animais eram produzidos, principalmente por um casal preso em 2014 e condenado à prisão perpétua em 2014. Não é a primeira vez que um vídeo filipino do tipo viraliza na internet. Em 2013, o Boatos.org desmentiu uma história parecida. Em 2015, um vídeo de uma mulher colocando fogo em um cão com maçarico também viralizou. 

Já deu para ver que o vídeo não é do Brasil. Infelizmente, não conseguimos descobrir em qual período ele foi filmado. A baixa qualidade da filmagem entrega que ele não é tão novo (quem souber a data da filmagem, nos avise), mas não dá para cravar.

O que é possível cravar é que uma notícia falsa sobre o assunto circula na internet. Alguns sites famosos por soltar boatos na internet apontaram que a mulher foi presa na cidade filipina de San Jose del Monte. Tentamos procurar pela informação na web e não achamos nada a respeito. Além disso, a imagem divulgada como a da mulher sendo presa não tem nada a ver com o caso. Ele é de uma mulher que foi presa na fila de espera para comprar o iPhone 6 em 2014 nos EUA.

Resumindo: há algumas certezas e algumas dúvidas. Não sabemos ainda se o vídeo é recente e se a mulher foi presa. Por outro lado, podemos afirmar que não é no Brasil. Em meio a tudo isso, uma informação é a mais importante: não adianta compartilhar o vídeo da mulher pisando em um cachorro para que as autoridades a prendam. Você só vai estar espalhando lixo na web.

PS: Este artigo foi uma sugestão da leitora Grace Jones e diversos leitores via WhatsApp. Se você quiser sugerir um tema para o Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook ou WhatsApp, no número (61) 9331 6821.

Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

4 comentários em “Compartilhe vídeo de mulher pisando em cachorro para que ela seja presa #boato

  • 19/06/2017 em 11:49
    Permalink

    Acho tudo isso lamentavel quem ama os animais ficam tristes com cenas assim boatoboatos ou não não deveria entrar no face .

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  • 18/06/2017 em 23:06
    Permalink

    A disseminação dos vídeos é no mínimo imprudente, já que existem pessoas com desvios comportamentais interessadas no conteúdo.

    Resposta
  • 18/06/2017 em 21:09
    Permalink

    De acordo com as reportagens sobre este caso, a investigação da PETA (People for Ethical Treatment of Animals / ONG Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) na ASIA junto ao NBI (National Bureau of Investigation / Policia Nacional das Filipinas) iniciada após uma denúncia e que durou um ano, levou aos responsáveis pela produção deste e de outras dezenas de vídeos, Dorma Ridon e Vicente Ridon. O casal filipino da cidade de San Fernando na província de La Union foi preso em meados de 2011 acusado pelos crimes de crueldade aos animais, abuso infantil, violação do bem estar animal e tráfico de pessoas, quando pagaram uma fiança e tentaram fugir da condenação sendo recapturados dias depois após a divulgação no noticiário das Filipinas, inclusive foi oferecida uma recompensa por informações que levassem à localização do casal. Em 2012 foi iniciado o julgamento e em 2014 a condenação pelos crimes foi concluída, sendo que a pena total para os crimes cometidos foi de prisão perpétua e multa de aproximadamente US$ 200.000 para cada um deles. Ainda de acordo com as reportagens, Vicente Ridon alegou que iniciou contato em 2007, enquanto jogava online, com um suposto homem da Austrália ligado a uma rede que explora o asqueroso fetiche conhecido como crush, fetiche doentio no qual pessoas degeneradas sentem prazer sexual ao ver pequenos animais sendo torturados por mulheres seminuas, a maioria dos vídeos produzidos pelo casal possivelmente ocorreram entre 2008 e 2009, para isso o casal atraía meninas entre 12 e 18 anos para trabalharem como empregadas domésticas e posteriormente as coagia a protagonizarem os vídeos. Realizando uma busca na Internet pelos nomes dos criminosos é possível encontrar diversas reportagens relatando o caso, a maioria em inglês.

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  • 16/06/2017 em 06:55
    Permalink

    Então eles foram presos? Será que já não existe mais essas práticas nas Filipinas, será que as ONGs estão batendo duro nisso pra não deixar mais isso acontecer?

    Resposta

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