História falsa: mulher passa veneno na vagina para matar marido

By | 11/08/2014
foto utilizada em boato é de mulher presa por tráfico de drogas

foto utilizada em boato é de mulher presa por tráfico de drogas

Boato – Em São José do Rio Preto (SP), uma mulher de 42 anos tentou matar o seu amado de uma forma inusitada. Passou veneno nas partes íntimas e pediu para ele fazer sexo oral

Quando a gente pensa que viu de tudo no mundo dos boatos, vem uma história nova e rompe todos os paradigmas. Uma causo do ano de 2011, que voltou com toda força em 2014, dá conta de uma tentativa de homicídio bizarra na cidade de São José do Rio Preto (cidade do interior de São Paulo).

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Uma mulher foi acusada pelo marido de ter passado veneno nas partes íntimas e tê-lo chamado para praticar sexo oral. Desconfiado, ele foi até a delegacia e o hospital para fazer a denúncia e buscar a sobrevivência.

A notícia surgiu no site Região Noroeste e ganhou repercussão mundial na época por ter sido postada no tabloide britânico The Sun. Em 2014, o blog Não Entendo Direito deu vida nova a história, que começou a se espalhar por redes sociais. Leia:

“S. J. DO RIO PRETO – Uma ocorrência incomum foi registrada no 4º Distrito Policial de Rio Preto, na última semana. Trata-se de “averiguação de tentativa de homicídio”. O inusitado da história é o teor da denúncia: um homem procurou a polícia e contou que após uma briga a mulher passou uma substância tóxica (veneno) da vagina e o convidou para sexo oral.

Esperto, o maridão deu uma cheiradinha no produto antes de saborear o veneno e desconfiou da intenção perversa da mulher. A ocorrência foi registrada pelo delegado Walter Colacino Júnior, que diante da versão inusitada, determinou a apuração dos detalhes do caso antes de adotar qualquer providência.”

Há alguns pontos a se destacar na trama da “assassina do amor”. O primeiro é que realmente, a história da denúncia aconteceu. Porém, o caso não é de uma “mulher que passou veneno para matar o marido”.

O próprio texto da matéria do Região Noroeste aponta que, na lavagem estomacal que o homem se submeteu, não foi detectado nenhum tipo de veneno. Havia ainda a afirmação de que a mulher teria, na realidade, passado um gel erótico na genitália. O caso foi arquivado.

É uma pena que as pessoas só devem ter lido o título da matéria (que, erroneamente, acusa a mulher) e repassado o caso para frente. Aí, é claro, a notícia foi modificada um milhão de vezes até chegar na versão atual.

Se você ainda não acredita que a mulher é inocente, temos outros argumentos. Falando do veneno “mais popular” do momento, o chumbinho. Esse texto aponta que ele não tem cheiro. Opa, então seria difícil o homem pressentir o perigo assim.

Tem mais. Esta matéria do Diário de Pernambuco aponta que o chumbinho pode matar apenas com o contato com pele. Se ele pode causar danos em contato com a pele, o que dizer na ocasião narrada. Muito provavelmente, a mulher teria morrido.

Por fim. Junto a algumas versões da mensagem aparecia uma mulher presa. Só que um detalhe, a foto mostra ao fundo a identificação da Polícia Civil como sendo do estado de Espírito Santo. A mulher é, na realidade, líder de uma quadrilha de tráfico de drogas. Ou seja, até um rosto para a suspeita já inventaram. Até um blog da RBS publicou a foto falsa.

Resumindo a história, houve uma denúncia contra a mulher. Mas, ela não procedia. Ou seja, esse é um boato espalhado pela suposta vítima. E com uma ajudinha da mídia regional, nacional, mundial e de uns blogs por aí.

PS: esse artigo foi uma sugestão do leitor Alessandro Carvalho  no Fórum do Boatos.org no Facebook. Se você quiser sugerir um tema para o Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site ou pelo Facebook. 

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